terça-feira, 10 de janeiro de 2012

IRMÃOS CORAGEM - Capítulo 114


Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 

CAPÍTULO 114
PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:
MANUEL
LÁZARO
JERÔNIMO
POTIRA
RODRIGO
SINHANA
DR. MACIEL
JOÃO
BRAZ
ALBERTO
PEDRO BARROS
DALVA

CENA 1  -  CHOUPANA  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

Manuel, o homem que fizera um depoimento falso, incriminando João Coragem quando do julgamento do garimpeiro, fôra procurar Jerônimo para lhe propor um negócio. Reconhecido pelo rapaz, surgira uma discussão entre eles e logo a briga se tornaria mais séria. Agora, Manuel gemia, ferido na virilha por uma bala. Era uma ferida feia, numa região perigosa. O sangue jorrava aos borbotões.


MANUEL  -  Não aguento... não aguento! Dói muito!

LÁZARO  -  (berrou)  Vê aí uma bebida forte, prêle aguentá...

JERÔNIMO  -  Leva ele daqui. Não quero vê a cara desse homem (advertiu, sem olhar para o outro, que se esvaía em sangue)  Eu trato da minha vida. Leva ele daqui.

MANUEL  -  (clamava, gemendo)  Me... bota... em riba de um... cavalo... eu sei aonde devo ir.

LÁZARO  -  (ameaçador)  Veja lá o que vai fazê, Maneco!

Os dois homens deixaram a sala. Manuel apoiado nos ombros fortes do jagunço.


POTIRA  -  Por minha causa tu tá passando tudo isso, Jeromo!

JERÔNIMO  -  Por tua causa, nada. Só que num quero ser salteador de estrada. Acho que ainda não cheguei nesse ponto.

POTIRA  -  Deus é grande! (exclamou, olhando para o céu)  A gente ainda vai vivê bem...

Os cascos do cavalo, deixando a galope o terreiro do esconderijo, estalaram na terra dura. Jerônimo olhou por entre duas ripas de madeira da parede. Manuel, encolhido como um jóquei, na reta final, deixava o casebre com um destino que só ele conhecia.


JERÔNIMO  -  Criminoso eu num sou.  Nunca matei ninguém. Nem a Lídia eu queria ferir. Graças a Deus ela não morreu...

Potira alisou-lhe a fronte e os cabelos empapados de suor.


POTIRA  -  Vamos sonhá, amô... ninguém pode roubá da gente esse direito.

JERÔNIMO  -  Num lugar onde a gente num é perseguido...

POTIRA  -  Será que existe?

JERÔNIMO  -  Existe... existe!

LÁZARO  -  Eu só quis ajudá... pros dois podê sumi pra longe... Por isso trouxe o cara sem reconhecê ele... (completou, tirando o chapéu da cabeça).

CORTA PARA:

CENA 2  -  CHOUPANA  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

Durante horas Rodrigo vasculhou a região, mas, graças à informação de um e de outro alcançou o casebre, à tardinha. O sol ainda estava aceso na cumeeira dos céus.

A surpresa da índia foi imensa.


POTIRA  -  Como me achou aqui?

RODRIGO  -  Não foi muito difícil... Vamos conversar.

O ex-promotor foi até a janela e fechou-a. Sentou-se num banco de madeira.


POTIRA  -  Que é que vai fazê?

RODRIGO  -  Só vim pra te buscar.

POTIRA  -  Me buscar? Como... me buscar?

RODRIGO  -  Estou te dando uma chance de você deixar aquele patife! (tinha os olhos marejados. Era todo bondade).

POTIRA  -  Se explica!

RODRIGO  -  Não digo que vou viver com você... que vou te perdoar... mas, se te levar daqui, vai ser pra cuidar de sua regeneração. Estou dusposto a tudo... até a pôr uma pedra em cima de tudo o que você passou e olhar pelo seu futuro. Pode ser que mais tarde... eu consiga esquecer... e, quem sabe?

POTIRA  -  Você fala como se fosse dono de minha vida!

RODRIGO  -  Estou te estendendo a mão, índia! Quero te salvar!

POTIRA  -  Mas eu não estou te pedindo! Não tou perdida pra necessitá de salvação!

RODRIGO  -  Está! Está, sim! (falou, com a voz alterada. Sentia a insensatez da esposa)  Você não tem futuro, não tem nada, junto com Jerônimo. Os dias dele estão contados. Está muito complicado com a justiça. E o que vai ser de você, sua idiota?

POTIRA  -  Não interessa.  Se a policia pegar ele, eu espero ele sair da cadeia...

RODRIGO  -  Vai esperar... 10... 15 anos!

POTIRA  -  Espero, espero até uma vida inteira!

RODRIGO  -  Eu te quero tanto... que até já perdi a minha dignidade!

CORTA PARA:

CENA 3  -  CHOUPANA  -  QUARTO  -  INT.  -  NOITE.

Potira estava deitada, com o pensamento perdido nos acontecimentos de sua vida quando Jerônimo regressou. A noite ia alta e a chama da vela iluminava as paredes do barracão. Lázaro acompanhava o amigo.


POTIRA  -  Que foi?

JERÔNIMO  -  Vamos se mandá daqui! Anda, rápido!

Num salto a mestiça estava de pé.

LÁZARO  -  Não perde tempo. Pega o que pudé!

JERÔNIMO  -  Tão atrás de nós!

POTIRA  -  (com as mãos apertando o peito)  Mas o que foi que vocês fizero?

JERÔNIMO  -  A polícia desta cidade foi avisada!

Os três deixaram o casebre envolvidos pelo silencio e pelo negrume da noite sertaneja.
   
CORTA PARA:

CENA 4  -  COROADO  -  CASA DE REUNIÃO  -  INT.  -  NOITE.

Sinhana, sempre Sinhana. A mãe valente. Decidida. A mãe Coragem, na acepção do termo. Naquela noite, com o filho a conversar com os seus homens de confiança, a velha, com o diamante guardado nas vestes interiores, sofreu o atentado. Gritou, como reação final, ainda tonta, quando as mãos do bandido procuravam, nervosamente, a pedra.


SINHANA  -  João! João!

O assaltante desapareceu por entre o matagal escuro.

O garimpeiro correu, acompanhado de Braz, Alberto e o médico Maciel.


JOÃO  -  Mãe!

SINHANA  -  Tou tonta... tonta!

DR. MACIEL  -  Que foi, Sinhana?

SINHANA  -  Me atacaro. Me sentaro um troço na cabeça!

DR. MACIEL  -  Virge! Um galo enorme!

SINHANA  -  Ah, mas eu sou dura, viu?

JOÃO  -  Tentaro tirá o diamante?

SINHANA  -  Tá aqui, filho! O disgramado num teve tempo!

A velha segurou a enorme pedra, protegida por um saco de couro marrom.

Braz e Alberto partiram na direção do matagal, para uma busca nas imediações. 


SINHANA  -  Num deu pra vê a cara... mas era um baita dum home.

CENA  5  -  COROADO  -  CASA DE REUNIÃO  -  INT.  -  NOITE.

Na sala da casa de reunião, João pediu ao médico:


JOÃO  -  Vê logo esse ferimento na cabeça dela, doutor!

Maciel começava a fazer o curativo.


DR. MACIEL  -  É coisa de nada... Acho que ela não deve ficar com essa responsabilidade... O melhor é você fazer logo negócio com essa pedra. Você se livra de uma preocupação muito grande. (Sinhana gemia, quando o médico apertava um pouco mais a região atingida)  É muito perigoso, João!

JOÃO  -  O senhor tem razão. Mas, antes disso, vou pegá o safado que tá aqui, junto da minha gente, trabalhando pros meus inimigo...

BRAZ  -  Não achamo ninguém.

ALBERTO  -  Nem vivalma!!

Sinhana zangou-se com a incredulidade que as palavras do negro provocaram nos presentes.


SINHANA  -  Oh, gente, então sou doida? Vejam o galo na minha cabeça! Isso daí é imaginação? (deu um tapa forte nas mãos do médico)  Pára com isso!

DR. MACIEL  -  Tenho que dar um ponto, Sinhana!

CORTA PARA:

CENA 6  -  FAZENDA DE PEDRO BARROS  -  CASA-GRANDE-  SALA  -  INT.  -  DIA.

A admiração do Dr. Rafael não tinha limites. Parecia-lhe inadmissível que o ex-delegado estivesse dominando a vontade do velho “dono” de Coroado, influindo, inclusive, na vida de sua filha. O médico buscara o apoio de Pedro Barros, seu consentimento para internar e operar Lara, mas Falcão dera o contra. E justificara: “Nada de operação, eu prefiro Diana viva!” O coronel aceitara a decisão, pois para ele, tudo o que fosse contra João Coragem lhe servia, plenamente.

O telefone tilintou e o coronel atendeu.


PEDRO BARROS  -  Alô!

JOÃO  -  (reconheceu de imediato a voz arrogante)  Afinal, seu coronel, o que é que o senhô tá querendo que eu faça? Já não fiz tudo o que o senhô queria? Por que não diz onde tá minha mulhé? Como esperá? Esperá o quê? Olha, eu cansei. Sabe o que vou fazer, agora? (esperou alguns segundos pela resposta do velho)  Vou saí daqui, da pensão do Gentil, onde tou, e vou na delegacia, dá parte dessa tramóia.

PEDRO BARROS  -  (vociferou, do outro lado da linha)  Eu te aconselho a não meter a polícia nisso! Bem sabe que não sou só eu que tou metido na história. Falcão, também. Principalmente ele! E ele faz ameaça. A vida da minha filha corre perigo e se a gente avisar a polícia...

Barros desligou e virou-se para Dalva, que ouvia atentamente o diálogo.


DALVA  -  Que foi que você resolveu com João?

PEDRO BARROS  -  Custou... mas ele me deu o dia de hoje. Quer ir à polícia, mas eu o convenci. Se até amanhã não tiver notícia, eu dou o direito dele fazer o que quiser... Resta esperar que Falcão apareça aqui, hoje. Aí, eu vou chegar às vias de fato com ele. Ou ele me diz onde tá minha filha... ou morre, o desgraçado!

DALVA  -  Um homem que tem feito o que ele faz, só matando! (aprovou, com um gesto de ira)  Só matando!


FIM DO CAPÍTULO  114
Rodrigo (José Augusto Branco)
e no próximo capítulo... 
*** Lara é operada no Rio de Janeiro. João está aflito, aguardando o resultado, temendo que a personalidade de Diana reviva para sempre no corpo de sua mulher.

*** Lara acorda e todos aguardam, apreensivos,  para ver se quem está ali é Lara, Diana ou Márcia!  

 NÃO PERCA O CAPÍTULO 115 DE
 EMOÇÕES FINAIS! ÚLTIMOS CAPÍTULOS!

E VEM AÍ...
ESCRITA A PARTIR DA IDÉIA ORIGINAL DA NOVELA DE DIAS GOMES
POR TONI FIGUEIRA

ESTRÉIA DIA 01 DE FEVEREIRO! 

sábado, 7 de janeiro de 2012

IRMÃOS CORAGEM - Capítulo 113


Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 

CAPÍTULO 113
PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:
PEDRO BARROS
ADVOGADO
DELEGADO FALCÃO
DR. RAFAEL
JOÃO
POLICIAL
DELEGADO PIRES
HERNANI
IOLANDA

CENA 1  -  FAZENDA DE PEDRO BARROS  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

Pedro Barros acordou, com os olhos inchados. Juca avisava-o de que um homem desejava falar-lhe. O estranho mostrou-lhe a carteirinha vermelha.


PEDRO BARROS  -  Pois não!

ADVOGADO  -  Com licença!

PEDRO BARROS  -  O que é?

ADVOGADO  -  O comprador para esta casa está aí.

A situação do coronel era vexatória. Com o desenrolar dos acontecimentos, aos poucos o antigo deus de Coroado fôra-se arruinando. E agora, para sobreviver, via-se obrigado a desfazer-se de suas propriedades. Suas terras. As coisas às quais amara mais que à própria vida. Que a própria família.


PEDRO BARROS  -  Faça ele entrar... (Juca tentou impedir. O coronel segurou-o com mão firme)  Num tem remédio, Juca. É o único sujeito que se interessou pela casa e me paga à vista, ali, na bucha, não é verdade, doutor?

ADVOGADO  -  É  (confirmou o profissional, um indivíduo esquálido com olhos mortos e cara de terra suja. Deu uns passos até a varanda e trouxe o interessado à presença de Pedro Barros)  Aqui está ele, coronel!

Barros estremeceu, piscou e empalideceu, como se tivesse visto um fantasma deixar o túmulo.


PEDRO BARROS  -  Você! Você, miserável!

DELEGADO FALCÃO  -  (ria, impassível. Despreocupado)  Olá, coronel... pensou que ficaria livre de mim, hem?

O coronel estava fora de si; tentou investir contra Falcão.


PEDRO BARROS  -  Este... este sujeito é um ladrão! Ele vai comprar minha casa... com o dinheiro das pedras preciosas que roubou de mim!

DELEGADO FALCÃO  -  Tá lembrando, coronel? Com o dinheiro das pedras preciosas que o senhor me deu...

PEDRO BARROS  -  (babava-se de ódio)  Você me roubou! Você me roubou! É um ladrão! Um bandido! E eu não vou entregar minha casa pra ele!

DELEGADO FALCÃO  -  Não entrega... e amanhã apontam seus títulos no protesto. Só eu é que posso salvar o senhor.

PEDRO BARROS  -  Vigarista! Ladrão! Bandido! Prefiro ficar na miséria! Prefiro ir parar na cadeia! (o coronel estava possesso, a qualquer instante poderia ser fulminado por um ataque de apoplexia)  Ponham este desgraçado daqui pra fora!

ADVOGADO  -  (interveio elucidativo)  Coronel... não há alternativa... se não faz o negócio hoje... tudo está perdido.

PEDRO BARROS  -  (empurrou grosseiramente o homem magro)  E você... seu advogadozinho de meia tigela!

DELEGADO FALCÃO  -  (falou com calma)  Olha aqui... aceito o preço... tudo direitinho, como o senhor quer. A gente vai no cartório e lavra a escritura. Dou um sinal, por conta... a gente termina de negociar na cidade... daqui a umas duas horas. Até já avisei o escrivão. (retirou do bolso um maço de notas novas. Teatralmente, como exigia a ocasião)  Tenho aqui dois milhões... um pequeno sinal. Tem aí um recibo, doutor?

ADVOGADO  -  (mostrando um papel dobrado em quatro)  Só falta o coronel assinar.

PEDRO BARROS  -  (desarvorado)  Não assino, coisa nenhuma! Já disse!

Mas acabou assinando.

CORTA PARA:

CENA 2  -  SÃO PAULO  -  PARQUE DE DIVERSÕES  -  EXT.  -  NOITE.

O homem fumava. O pequeno ponto vermelho, da brasa do cigarro, dançava no ar, agitado pelos dedos do desconhecido. Àquela altura o parque de diversões estava vazio e garoava na capital paulista. Um friozinho agradável convidava ao sono.


João avançou cuidadosamente. Sem fazer ruído.

No último instante, o leve arrastar dos sapatos chamou a atenção do solitário. E com um salto felino, ele disparou por entre as máquinas, esbarrando nos aeroplanos, nos carrinhos de corrida. Nos bancos balouçantes da roda-gigante. Jão não o perdia de vista, seguindo-o como um cão de caça. Pulavam de banco em banco. Rafael acompanhava-o na empreitada. E num momento de distração do desconhecido, o garimpeiro, com um jogo de pernas, derrubou-o de encontro ao guichê de pagamentos na entrada da montanha-russa. João Coragem, envolvido pelas sombras, subjugava o homem, de encontro à madeira do pequeno barracão.


DR. RAFAEL  -  João conseguiu, finalmente.

JOÃO  -  Agora... a gente vai ver a cara dele! A cara desse desalmado!

O rapaz respirava mal, mas mostrava-se eufórico, com o êxito da caçada. Segurou firme e puxou o indivíduo para a luz. Três policiais chegavam, avisados momentos antes pelo médico de Lara. As feições de João transformaram-se ao ver o rosto do prisioneiro.


JOÃO  -  Você?! Você... Hernani?

DR. RAFAEL  -  Santo Deus, é espantoso!

POLICIAL  -  É o homem do diamante? (perguntou, algemando o ex-empresário de Duda).

JOÃO  -  É, seu guarda. O home que roubô meu diamante do ladrão do Lourenço... o mesmo que matô ele... e matou Dona Estela.

POLICIAL  -  O senhor está preso! (anunciou, erguendo brutalmente o homem sentado no chão. As argolas das algemas quase cortaram-lhe os pulsos magros).

JOÃO  -  Disgramado! Eu podia pensá em todo mundo, menos nesse sujeito!

Os dois ficaram a olhar o carro da polícia, com o farol vermelho a girar, na capota, afastar-se apressadamente. Mais um capítulo havia acabado na história do diamante.

CORTA PARA:

CENA 3  -  SÃO PAULO  -  DELEGACIA  -  INT.  -  NOITE.

O foco de luz descia do abajur, iluminando a cara pálida do bandido. O resto da sala estava imerso na escuridão. Cinco policiais postavam-se ao redor de Hernani. À sua frente, protegido pela escurudão, o Delegado Pires. Mais ao longe, o escrivão preparava-se para trabalhar.


DELEGADO PIRES  -  Estamos ouvindo. Pode começar a sua confissão!

HERNANI  -  Conheci Dona Estela... em São Paulo. Foi por uma coincidência. Certo dia, numa roda de amigos... nos encontramos e vimos que já nos conhecíamos de vista. De fato... já nos havíamos visto em Coroado. Isto serviu como elo para a amizade que... logo se tornou mais íntima. Íntima demais. Eu lhe trazia constantes notícias das coisas que aconteciam com sua filha. Um dia ela me confessou que estava muito aflita. Tinha sido procurada por um homem. Pensou que ele estivesse morto. Era Lourenço D’Ávila. Eu já conhecia toda a história.

Mexeu-se um pouco, procurando posição mais confortável.

HERNANI  -  Disse então que agora o cara se chamava Ernesto Bianchinni. Queria fugir com ela. Bolei o meu plano. Mandei que enganasse Lourenço e descobrisse onde estava a pedra. E ele, diante das conversas da mulher, acabou por dizer. Tinha deixado o diamante com uma enfermeira, em Belo Horizonte. Quando ele desconfiou da minha existencia, era tarde. Tentou me pegar e... se matei Lourenço foi pra me defender... e a ela. Depois foi aquele problema. A gente não sabia o que fazer com o corpo. Ela estava de viagem marcada para Coroado, audiência marcada com o juiz para acertar o desquite... aí... veio aquela idéia... levar o corpo no carro... (depois de uma pequena pausa, prosseguiu)  Partimos... como dois desesperados... numa velocidade incrível, sem quase fazer paradas, até chegar a Coroado. Dois dias depois estávamos lá... e fomos diretamente no cemitério.

DELEGADO PIRES  -  E trocaram os corpos?

HERNANI  -  A idéia foi dela! Não minha!

DELEGADO PIRES  -  Como conseguiu?

HERNANI  -  O dinheiro faz tudo, você não sabia? Pagamos muito... mas muito mesmo... ao coveiro. Não foi difícil. Não preciso lembrar a cena, foi horrível! Me deixem em paz! (parecia acometido de um ataque de histeria)  Me deixem em paz! Já disse tudo!

Um dos policiais voltou à sala com um copo d’água e um comprimido amarelo. Deu-o ao rapaz. 


DELEGADO PIRES  -  (tornou a ordenar)  Continue.

HERNANI  -  O corpo do cara que tava lá, o coveiro se incumbiu de fazer desaparecer. Deu sumiço. Depois Estela foi a Belo Horizonte e não conseguiu nada da enfermeira...

A vez agora era de Iolanda. Hernani estremeceu ao ver a cara da mulher. A mesma luz incidiu sobre o rosto da enfermeira. Branco. Com olheiras arroxeadas.


IOLANDA  -  Todo mundo ia procurar o diamante comigo. Seu Bianchinni... ou melhor, seu Lourenço, disse a mais pessoas que a pedra estava comigo. Mas, conforme tinha ficado combinado... eu só entregaria a ele, ou com ordem dele. Cheguei a ficar doente com aquela situação. Até que surgiu... Hernani  (olhou o rosto do prisioneiro)  ele me cantou direitinho... me apaixonei por ele... e lhe entreguei a pedra, depois de saber que seu Lourenço estava morto. A gente possuía uma fortuna nas mãos, e o único empecilho era Dona Estela.

DELEGADO PIRES  -  E onde está o diamante?

HERNANI  -  Tirem aqui do bolso uma chave (disse, dirigindo-se ao policial)  É do cofre... no escritório do Parque Atlântico... onde eu era gerente. O diamante está lá.

O delegado mandou chamar João Coragem que, do lado de fora, aguardava a solução do caso. O depoimento representava muito para o seu futuro, pensava. João chegou à sala.


DELEGADO PIRES  -  Tenho uma boa notícia, João.  O seu diamante lhe será devolvido.

JOÃO  -  Graças a Deus!


FIM DO CAPÍTULO  113
Estela (Glauce Rocha)

 e no próximo capítulo...
*** Jerônimo, agora fugitivo da justiça, sonha ir com sua índia Potira para um lugar bem distante, onde ninguém os conheça.

***   Rodrigo consegue localizar o esconderijo de Jerônimo e Potira e vai até lá, oferecendo à índia a última oportunidade de se salvar!

NÃO PERCA O CAPÍTULO 114 DE 
 ÚLTIMOS CAPÍTULOS! EMOÇÕES FINAIS!

E VEM AÍ...

 LIVREMENTE INSPIRADA NA OBRA DE DIAS GOMES,ESCRITA POR TONI FIGUEIRA
 
ESTRÉIA DIA 01 DE FEVEREIRO!


   

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - chamada RENATÃO

          EM FEVEREIRO


             VOCÊ VAI CONHECER...


RENATÃO (Jardel Filho)

  Renatão é o típico malandro, quarentão simpático e bon vivant  de Ipanema, capaz das maiores artimanhas para conquistar uma mulher. Tudo isso com a cumplicidade do mordomo grego Konstantópulus, que o ajuda em suas  armações! Amante de Susi, noiva do banqueiro Oliveira Ramos, incentiva-a a casar com o milionário, a fim de tirar "uma casquinha" da fortuna do banqueiro!
       
roteiro de Toni Figueira
inspirada na obra de Dias Gomes
estréia dia 01 de fevereiro! 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - chamada HELÔ

          EM FEVEREIRO...

          VOCÊ VAI CONHECER...

HELÔ  (Dina Sfat)

Heloísa Oliveira Ramos, a filha mimada e temperamental do banqueiro Oliveira Ramos, levava uma vida irresponsável e inconsequente, aprontando mil confusões com os amigos Ricardinho, Mario Maluco, Verinha e Nívea. Isso até uma terrível tragédia se abater sobre sua turma, o que mudaria suas vidas para sempre!   

Inspirada na Obra de Dias Gomes
                     estréia dia 01 de  fevereiro                              

domingo, 1 de janeiro de 2012

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - chamada NÍVEA

EM FEVEREIRO

VOCÊ VAI CONHECER...

NÍVEA LOUZADA (Renata Sorrah)
Jovem de 20 anos, típica moradora do bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, se apaixona pelo Padre Vítor, o que provocará uma enorme tragédia, que cairá como uma bomba entre seus amigos.

Filha do bancário Emiliano  e da cabelereira Marieta, é a melhor amiga de Helô, no início da trama namora Ricardinho , de quem se  separa ao conhecer o Padre Vítor.



Dia 01 de fevereiro

a estréia

Inspirada na obra de Dias Gomes,

escrita por Toni Figueira

IRMÃOS CORAGEM - Capítulo 111


Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 

CAPÍTULO 111
PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:
DELEGADO FALCÃO
JOÃO
DALVA
ALBERTO
BRANCA
RODRIGO
JERÔNIMO
JACINTO EULÁLIO
GENTIL PALHARES
HERNANI
PEDRO BARROS
LAPORT
SINHANA
PADRE BENTO

CENA 1  -  COROADO  -  DELEGACIA  -  INT.  -  DIA.

Falcão entrou esbaforido na sala de espera da delegacia, como se tivesse acabado de assistir  ao pouso de um disco voador. Os soldados voltaram-se, apreensivos, ante a explosão de comntentamento do delegado:


DELEGADO FALCÃO  -  Gente! João foi condenado!

Minutos depois o condenado, com as mãos algemadas, escoltado por quatro guardas armados, dava entrada na delegacia. Parou, por alguns segundos, e encarou o inimigo.


JOÃO  -  Satisfeito, hem?

DELEGADO FALCÃO  -  Eu... eu sinto muito... mas você vai ser meu hóspede... durante 20 anos. É claro que eu não duro no pôsto até lá... Mas, em compensação, prometo que vou fazer as melhorias necessárias no xadrez... pra não dizerem que sou um delegado vingativo. (sem fitar diretamente o rosto do rapaz, Falcão desejou-lhe felicidades)  E... que Deus te ajude, João.

Os soldados conduziram-no para o interior da cela.

CORTA PARA:

CENA 2  -  COROADO  -  DELEGACIA  -  INT.  -  DIA.

E horas mais tarde tiveram de abrir caminho para dar passagem à cunhada de Pedro Barros. Dalva aproximou-se da cela, fria, sem um sorriso sequer para os homens de Falcão. O delegado mexeu-se.


DELEGADO FALCÃO  -  Hoje eu faço uma excessão. A senhora pode falar com ele daqui mesmo.

João levantou-se da cama dura e mal forrada.


JOÃO  -  Dona Dalva! O que foi?

DALVA  -  (falou quase sem fitar os olhos do garimpeiro)  Vim trazer a notícia do nascimento do seu filho.

Os olhos do rapaz encheram-se repentinamente de lágrimas e a emoção quase não o deixou falar. Estava engasgado.


JOÃO  -  Virge mãe! Meu filho... nasceu?

DALVA  -  Hoje, às 5 horas.

JOÃO  -  Deus do céu, que coisa mais boa, gente! É um menino?

DALVA  -  É. Um belo menino. Parabéns.

JOÃO  -  (agarrando as grades, emocionado, dirigiu-se aos guardas)  Brigado! Ei, gente! Eu já sou pai! Tá me ouvindo, ô Falcão do inferno! Pode se mordê de inveja! Eu sou pai! (abriu os braços num gesto largo)  Cês vão lá na venda e toma todo mundo um trago, por minha conta! Esqueço que ocês é tudo soldado e faço de ocês amigo! Eu quero, pelo menos por um momento, fazê as paz com todo mundo! Porque meu filho nasceu!

CORTA PARA:

CENA 3  -  COROADO  -  DELEGACIA  -  SALA DE VISITAS  -  INT.  -  DIA.

Vestida de negro e com um lenço branco a enxugar o rosto, de instante em instante, Branca D’Ávila aguardava que os guardas trouxessem Alberto até a sala de visitas da delegacia. Viera a pedido do próprio filho.


ALBERTO  -  (após alguns minutos de conversa, indagou)  A senhora não se decide?

BRANCA  -  Minha resposta você já sabe. Não movo uma palha para salvar João.

ALBERTO  -  (espalmou a mão num gesto significativo)  Tá bem... pode deixá, mãe. A senhora vai me obrigar a dizer tudo. Confessa que matou meu pai?

Branca estremeceu ao lembrar-se do cadáver do marido, arroxeado, entumescido, em deterioração.


BRANCA  -  Não, eu não o matei, mas estou muito implicada neste caso. Terei que responder a processo como  cúmplice.

ALBERTO  -  Eu quero saber o que foi que aconteceu na verdade com meu pai. Como foi que ele apareceu morto, enterrado, aqui, em Coroado.

BRANCA  -  (apertou as mãos, com nervosismo)  Eu lhe dou um conselho. É melhor você não mexer nisso. Deixe as coisas como estão. Se disser uma palavra sobre isso, eu nunca mais quero olhar para você, como mãe.

Alberto revoltou-se. Era demais. Como se estivesse discutindo com uma pessoa estranha.


ALBERTO  -  A senhora nunca foi mãe! (virou-se para o guarda que permanecia vigilante, do lado externo da sala)  Quero voltar pra cela.

Enquanto se afastava, ouvia as recomendações da mãe, inteiramente fora de si.


BRANCA  -  Escute, Alberto! Não vá fazer nenhuma loucura! Ninguém acreditará em você! Ninguém, ouviu?

CORTA PARA:

CENA 4  -  COROADO  -  DELEGACIA -  CELA DE JOÃO E ALBERTO  -  INT.  -  DIA.

Nem mesmo as ameaças da mãe impediram Alberto de tomar a decisão. Ele desejava revelar a verdade. Doía-lhe ver a situação do amigo, preso, condenado a 20 anos, por um crime que não cometera. Por um crime que apenas a mãe poderia esclarecer e se negava a fazê-lo. Agora se achava frente a frente com o promotor. João Coragem ao seu lado.


ALBERTO  -  Doutor Rodrigo, João... eu tenho uma confissão a fazer.

JOÃO  -  (interveio, segurando o braço do amigo)  Desde onte ele tá com isso na cabeça.

ALBERTO  -  Tudo isso... não tem razão de ser. A condenação do João e tudo o mais... (um breve silencio cortou a conversa)  Porque... meu pai... morreu duas vezes.

Era como se uma bomba tivesse caído no meio da sala. Rodrigo levantou-se. João empalideceu.


JOÃO  -  Tá variando, Alberto?

RODRIGO  -  (apertando os ombros do adolescente)  O que você quer dizer com isso?

ALBERTO  -  O corpo que vimos há pouco... era do meu pai.. mas não era o mesmo que foi enterrado há mais de um ano atrás. Meu pai morreu... duas vezes, repito... e em nenhuma delas, foi João quem matou.

RODRIGO  -  (ainda incrédulo)  Por que você está afirmando tudo isso?

ALBERTO  -  Porque eu vi meu pai vivo, estão me entendendo? Eu vi ele vivo, como seu irmão, Duda, viu!

JOÃO  -  (contrariado)  Se tu viu... por que não me contou?

ALBERTO  -  Ponha-se no meu lugar.  (emocionado)  Você teria contado? Teria coragem de delatar seu próprio pai? Mesmo sabendo que ele era um bandido, um ladrão? E sua mãe... metida na história... você faria isso?

RODRIGO  -  (interveio, solene)  Espera lá! Isso que está me dizendo é muito grave... e não faz sentido. Se você viu seu pai... como é que ele apareceu enterrado... há pouco tempo, quando exumamos o corpo?

ALBERTO  -  (explicou, com franqueza)  Houve dois crimes... Da segunda vez era meu pai! Da primeira, não sei quem era! Minha mãe pode confirmar a história... ela e o sujeito que está casado com ela. Mas vai se negar, eu sei. Dr. Rodrigo... se quer fazer alguma coisa pelo João, chame aqui o delegado, eu repito tudo o que disse.

CORTA PARA:

CENA  5  -  COROADO  -  PREFEITURA  -  INT.  -  DIA.

Nenhum dos homens deu atenção ao prefeito. Jerônimo ficara parado à porta da sala de reuniões, à espera de que lhe dissessem alguma coisa a respeito... Fôra ou não confirmado no cargo?


JERÔNIMO  -  Seu Anacleto...

O cidadão gordo, de olhos claros e cabelos crespos mal se deu ao trabalho de olhar furtivamente para o rapaz. O outro, Jacinto Eulálio, de barba negra e vestes amarrotadas, cedeu à pressão das mãos do ex-garimpeiro. Olhou-o com olhos de desafio.

JACINTO EULÁLIO  -  Sinto muito, meu caro...

Era tudo. Jerônimo baixou a cabeça, em atitude resignada. Lera bem claro nos gestos dos homens a decisão sobre o seu futuro.


CORTA PARA:

CENA 6  -  COROADO  -  PENSÃO DO GENTIL PALHARES  -   INT.  -  DIA.


A notícia correra célere pela cidade e na pensão do Gentil, o dono transmitia a novidade em altos brados:


GENTIL PALHARES  -  Consumou-se o ato! Está tudo acabado! (todos os presentes voltaram-se para o dono da casa)  Jerônimo foi afastado! Agora mesmo! Decidiram!

HERNANI  -  (fingindo tristeza)  Pobre rapaz! Até que não merecia isso... Bem , eu também vou dar o fora daqui, mas volto... Ah, ia me esquecendo! (dirigiu-se ao taberneiro)  Não deixaram uma encomenda pra mim, a mando do coronel?

GENTIL PALHARES  -  Ah, sim! (confirmou Gentil, abaixando-se para retirar da gaveta um pequeno envelope)  Um dos capangas dele, veio entregar...

Hernani abriu o envelope e viu o cheque azulado, com a assinatura de Pedro Barros. Abriu e leu o conteúdo do bilhete. Era como se Pedro Barros estivesse falando:


PEDRO BARROS  -  (off)  “Taí, seu sujeito à toa, o cheque com a quantia que me exigiu. Fica sabendo que é a primeira e última vez que faço isso. É pra você desaparecer da cidade. Dá o sumiço, antes que eu resolva te mandá pro inferno. É o que vai acontecê se voltá aqui, de novo”.

Hernani gargalhou, rasgou em pedacinhos o bilhete e beijou alucinadamente o pequeno papel retangular azul. Gentil e os hóspedes olharam assustados a estranha atitude do homem da cidade.

CORTA PARA:

CENA  7  -  ARREDORES DE COROADO  -  CHOUPANA  -  INT.  -  NOITE.


A luz difusa do lampião jogava sombras trêmulas sobre a parede de barro da choupana. Na porta, Braz Canoeiro vigiava a escuridão da mata, silenciosa, sinistra. Sentada diante da mesa, rodeada pelo filho e pelos amigos de João Coragem, Branca procurava fugir às perguntas de Rodrigo.


BRANCA  -  Eu não sei o que vocês querem que eu diga! Não entendo a história que acabam de me contar, juro!

ALBERTO  -  (interveio, insistente)  Mãe... mãe... diga a verdade... por mim.

BRANCA  -  Meu filho está louco!  (gritou, buscando proteção nos olhos de Laport)  Ninguém deve dar atenção às coisas que ele diz!

RODRIGO  -  Se a senhora acobertou a farsa do Lourenço D’Ávila... se for verdade o que Alberto afirma... a senhora é cúmplice...

BRANCA  -  Eu não tive culpa! (explodiu, deixando-se vencer pelo medo)  Ele me obrigou a fazer tudo aquilo! Eu não queria, mas ele me forçou!

Como se obedecendo a um comando único, os homens se entreolharam, significativamente.

LAPORT  -  (correu em defesa da mulher)  Branca... Branca, veja bem o que está fazendo!

A mulher deixou pender a cabeça, cansada.


RODRIGO  -  (a voz firme e impiedosa)  A senhora confessa, então... que as afirmações de seu filho são verdadeiras...

BRANCA  -  Até certo ponto...

ALBERTO  -  Mãe... fala tudo... conta o que sabe e a senhora tá me ajudando, também.

BRANCA  -  (ergueu a cabeça, por onde escorriam grossas gôtas de suor)  Não sei se estou te ajudando. Só sei que não aguento mais carregar o peso desta maldita farsa. Eu estou arrasada. Aconteça o que acontecer... eu quero me livrar disso. (estendeu as mãos para Laport, penalizado com a situação da mulher)  Não me leve a mal... nós nada devemos... e agimos como se tivéssemos assassinado meu marido.

LAPORT  -  Faça o que quiser.  Eu confio em você.

BRANCA  -  (voltando-se e encarando com ar de desafio o promotor)  Estou pronta a responder ao que o senhor quiser!

Sinhana e o Padre Bento acabavam de chegar. A voz de Branca quebrava o silencio do ambiente e da própria natureza.


BRANCA  -   ... é verdade... Lourenço armou toda aquela trama. Ele mesmo matou o amigo... era um tal de Virgílio... que tomou parte no roubo do diamante. (à medida que a mulher revelava os acontecimentos, João Coragem rememorava sua atitude firme, antes e depois, no júri, acusando-o de assassino, de responsável pela morte do marido. Era fria e cruel, pensava. Branca continuava, mais relaxada)  Ele sozinho preparou tudo... o cadáver no rio... trocou as roupas do homem... desfigurou o rosto... tinham a mesma compleição física, não foi difícil o engano... Ele mandou que eu confirmasse tudo... a acusação contra João... tudo. Eu fiz as coisas que ele mandou.

ALBERTO  -  Por que a senhora fez isso, mamãe?

BRANCA  -  Ele tinha me abandonado por outra mulher. Eu era doida por ele. Quando voltou... fez muitas promessas e eu acreditei em tudo o que ele dizia. Fiquei cega... surda... e louca. Só sei que obedecia às ordens dele.  Ele passou a ser Ernesto Bianchinni... a situação começou a se complicar... eu queria por um paradeiro naquilo... não conseguia. Foi quando tentei acabar com ele... aconteceu o desastre. Depois a ajuda daquela enfermeira... e do Gastão... tiraram ele do hospital... a enfermeira continuou cuidando dele. Uma tarde, quando cheguei no quarto, já numa casa que tínhamos alugado, num subúrbio de Belo Horizonte, ele não estava lá. Só encontrei o rôlo de gaze. Laport é quem sabe o resto...

Os rostos voltarem-se para o estrangeiro, que enrubesceu mais do que de costume.


LAPORT  -  Encontrei Lourenço em São Paulo... estava acompanhado de uma mulher bonita. Parecia apaixonado. Quando eu e Gastão lhe perguntamos sobre o diamante, ele disse que havia deixado com uma enfermeira, Iolanda, em Belo Horizonte.

BRANCA  -  A enfermeira foi procurada por eles e negou que tivesse ficado com a pedra.

RODRIGO  -  E esse Gastão, por onde anda?

LAPORT  -  Viajou.  Depois, tornei a ver Bianchinni... ou Lourenço, com a mesma mulher... certa noite.

RODRIGO  -  E essa mulher, quem é?

Branca fez uma pausa, como se se concentrasse para revelar um segredo mortal. Fazia suspense.


BRANCA  -  Era a mãe... de Lara... A amante de Lourenço... Dona Estela!


FIM DO CAPÍTULO 111
e no próximo capítulo...

*** Rodrigo leva Branca á presença do Delegado Falcão, para contar-lhe toda a verdade sobre a morte de Lourenço.

***  Lídia, cega de ciúmes, aponta uma arma para Jerônimo. Os dois lutam e ouve-se um tiro: Lídia é atingida, deixando o ex-prefeito desesperado!

NÃO PERCA O CAPÍTULO 112 DE 
ÚLTIMOS CAPÍTULOS! EMOÇÕES FINAIS! 

e vem aí... 
estréia dia 01 de fevereiro 

sábado, 31 de dezembro de 2011

IRMÃOS CORAGEM - Capítulo 112


Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 

CAPÍTULO 112
PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:
INDAIÁ
DELEGADO FALCÃO
RODRIGO
PROMOTOR
BRANCA
JERÔNIMO
LÍDIA
EMPREGADA
ALBERTO
JOÃO
DELEGADO CASTRO
MULHER

CENA 1  -  COROADO  -  CASA DE RODRIGO  -  QUARTO DE POTIRA  -  INT.  -  DIA.

Potira não insistia, mas esperava que Indaiá lhe contasse o segredo. Pelo menos fôra para isso que a mulher a chamara. E agora, face a face, com os grandes olhos negros mais profundos do que nunca, a mestiça ouvia as revelações inacreditáveis.


INDAIÁ  -  Tu era criancinha de colo, quando deixei teu pai por Sebastião. Deixei tu, também. Teu pai foi atrás de mim, disposto a tudo. Numa briga, Bastião deu fim nele e fugiu. Eu fiquei e tomei toda a culpa. Fui presa e condenada. Achei que eu merecia o castigo e aceitei a pena que eu mesma me impus. Achei que merecia o castigo e com isso me limpei. (as duas mulheres não podiam esconder a emoção)  Sebastião, então, te pegou e levou pra longe. E guardou o segredo até o fim da vida.

CORTA PARA:

CENA 2  -  COROADO  -  DELEGACIA  -  INT.  -  DIA.

Falcão não acreditava no que Rodrigo dizia.


DELEGADO FALCÃO  -  O que tá me dizendo? Estêve com João e Alberto?

RODRIGO  -  Sim... e ouvi coisas muito interessantes...  (voltou-se para a mulher que se escondera por trás de seu corpo forte)  Por favor, Dona Branca! (Falcão olhou, abismado, para a mulher)  Ela tem revelações a lhe fazer, delegado.

Falcão sentou-se, preparando-se para ouvir. Havia como que um silencio macabro no interior da delegacia.

CENA  3  -  COROADO  -  DELEGACIA  -  INT.  -  DIA.


DELEGADO FALCÃO  -  Confesso que tou besta com tudo isso que acabo de ouvir! Parece mentira!

RODRIGO  -  Eu também... embora... já tivesse havido suspeita de que Lourenço estava vivo. Depois da exumação do corpo dele, qualquer dúvida existente foi afastada. Dona Branca acabou de confessar e creio que todos entenderam muito bem.  Houve dois crimes e em nenhum deles João Coragem teve a menor participação. (andava de um lado para outro dentro da pequena sala, esfregando as mãos, nervosamente)  A confissão dela e do Sr. Laport é o suficiente para que ele me tome como advogado e eu encete as providencias que o caso requer. Não, senhor promotor?

O novo promotor fez que sim com a cabeça. Também ele estava presente á confissão da mulher de Lourenço.

DELEGADO FALCÃO  -  (buscou uma derradeira saída)  Agora... é preciso apelar para uma instância superior, né, seu doutor promotor?

PROMOTOR  -  Evidente. Mas o Doutor Rodrigo sabe o que fazer.

RODRIGO  -  Claro.  Como advogado de João vou pedir a revisão criminal imediatamente. (virou-se para o delegado)  Eu sou responsável por Alberto. Quando voltar, o trarei para que seja julgado...

As mãos da mulher buscaram a face, enquanto um soluço rouco lhe saía de dentro do peito.


BRANCA  -  Me prendam no lugar dele! Ele não é responsável pelo que fêz! Eu e o pai dele é que fomos os verdadeiros culpados! É um menino bom! Eu mereço a punição... ele, não!

CORTA PARA:

CENA 4  -  COROADO  -  CASA DE JERÔNIMO  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

Os constantes e diários atritos infernizavam a vida de Jerônimo e Lídia. O fantasma de Potira tornara-se forma viva e não deixava o pensamento do rapaz. A mulher percebia-lhe o sofrimento. E as brigas se tornavam diárias.

Naquela noite a mulher tomara uma decisão. Aguardara a chegada do marido para romper de uma vez com os vínculos e com.. a vida. Esperara horas o retorno do marido ao lar. E agora, apontava o revólver, friamente, em sua direção. Jerônimo rodeava-a à procura de uma oportunidade para lhe tirar a arma.


JERÔNIMO  -  Olha aqui, Lídia... (movia as mãos em sinal de calma)  Num vim aqui pra te matar... não que você num mereça. Mas eu num tou pra me desgraçar por tua causa.

LÍDIA  -  Mas eu vou me desgraçar e não tenho medo de nada.

Jerônimo falou-lhe do pai e de sua vida na cidade.


JERÔNIMO  -  Escuta... vou te dar até amanhã pra deixar esta cidade.

LÍDIA  -   ...e eu te dou um minuto pra você se despedir da vida.

JERÔNIMO  -  (engrossou)  Deixa de ser bêsta! Larga mão de tragédia. Se eu quissesse dar fim a você, já tinha dado... e não seria esse teu revólver que me assustaria...

Lídia não se movia. Ereta. Tranquila. Apontando a arma como se torturasse um condenado à morte.


LÍDIA  -  Te digo uma coisa... cheguei a um ponto que não suporto mais. Prefiro te ver morto, do que saber que você tá junto daquela sujeitinha...

Veio a confirmação brutal.


JERÔNIMO  -  Será que você não entende... que eu não gosto de você?

LÍDIA  -  Por causa dela?

JERÔNIMO  -  Por causa de ninguém, Lídia! Mulher nenhuma pode obrigar um homem a ter amor por ela! E a mulher que gosta de verdade, não faz o que você costuma fazer...

LÍDIA  -  Eu queria lutar pra te conquistar! Mas agora eu quero que você morra!

O  dedo ia premir o gatilho. Num golpe rápido, Jerônimo agarrou-lhe a mão, voltando inadvertidamente o cano na direção da esposa. O tiro ecoou forte em meio à luta do casal. Lídia abriu os olhos, arregalando-os de forma inumana Incontinenti pôs a mão sobre o estômago. Lídia aos poucos foi caindo ao chão.


EMPREGADA  -  Dona Lídia! Dona Lídia!

A voz trêmula da empregada despertou Jerônimo da inércia momentânea. Atirou o revólver para longe.


JERÔNIMO  -  Eu... não queria! Juro... foi... sem querer.

A empregada não suportou a cena e gritou descontrolada, enquanto Jerônimo fugia.


EMPREGADA  -  Socorro! Socorro! Socorro!

CORTA PARA:

CENA  5  -  COROADO  -  DELEGACIA  -  INT.  -  DIA.

Falcão retirou as algemas do prisioneiro diante dos olhares vigilantes dos soldados.


DELEGADO FALCÃO  -  Caiu como um patinho!

ALBERTO  -  Eu tinha prometido ao doutor promotor que ia me entregar... não precisava nada disso. Queria só era agarrar o sujeito que está com o diamante do João, é o mesmo que matou meu pai.

DELEGADO FALCÃO  -  Pois é... seu pai. Tão bonzinho! Coitadinho dele! Não fez nada para merecer o destino que teve!

O  gesto do delegado despertava instintos incontroláveis no adolescente. Os dentes rangiam-lhe. As mãos, agrilhoadas pelas algemas, moviam-se como que à procura da garganta do inimigo. Alberto chorava de raiva.


ALBERTO  -  Ele pode ter feito o que fez, mas era meu pai. E não tem direito de fazer piada de um negócio tão grave.

DELEGADO FALCÃO  -  Minha raiva é que o João não voltou com você!

ALBERTO  -  E nem vai voltar!  Pode perder as esperanças... porque pra esta cadeia ele não volta nunca mais!

DELEGADO FALCÃO  -  Veremos!  Ele pode tá aguardando a decisão da justiça... mas enquanto não dão a última palavra... ele tem que ficar aqui com você! Os dois na cadeia, mofando! Com ou sem culpa no cartório!

CORTA PARA:

CENA  6  -  BELO HORIZONTE  -  BOUTIQUE  -  INT.  -  NOITE.

A esta altura, João Coragem se encontrava longe. Viajara para a capital, seguindo a trilha que o levava aos responsáveis pela trama e pelo roubo do diamante. A boutique com suas vitrinas de letras douradas e decoração de bom gosto, ali estava. Era aquela. Não havia ninguém, devido o adiantado da hora. João entrou. E interrogava sem pena a mulher que estava à sua frente.


MULHER  -  Basta! Estou cansada disso tudo. Eu vou dizer o que sei...

JOÃO  -  A gente tá ouvino. Diga.

MULHER  -  É verdade, sim. Eu fui procurar a moça, enfermeira, à procura da pedra. Como é verdade que estive em São Paulo, com Lourenço. Foi ele quem me garantiu que o diamante estava com ela. E tudo o que tenho feito é procurar esta pedra... e se você fosse mais esperto, João, teria a certeza de que Iolanda é uma farsante. Ela engana você, seu bobo. Engana todo mundo. Leva ela à polícia e a obriga a dizer onde escondeu o diamante!

João olhou espantado para a mulher.

CORTA PARA:

CENA  7  -  COROADO  -  DELEGACIA  -  INT.  -  DIA.

A grande notícia correu Coroado de ponta a ponta. Diogo Falcão fôra destituído das funções de delegado. Já não mandava. Já não impunha a sua lei tendenciosa na pequena mas atormentada cidade do sertão mineiro.


O novo delegado, Castro, viera de outra região. Tipo caladão, porte médio, cabelos lisos. Ele ergueu os olhos para atender o ex-promotor, que acabara de chegar, esbaforido.


RODRIGO  -  Senhor delegado... tenho uma queixa muito grave a lhe fazer!

DELEGADO CASTRO  -  (franziu a testa)  De que se trata? Sente-se.

RODRIGO  -  Já sabe que Jerônimo Coragem tentou matar a mulher dele e que escapou de ser preso em flagrante...

DELEGADO CASTRO  -  Sei. O antigo delegado deixou que ele fugisse.

RODRIGO  -  Mas se o senhor quiser, agarra ele... ele ainda está por aqui!

DELEGADO CASTRO  -  (levantou, agitado, incrédulo, segurando a arma que lhe pesava no cinto)  Sabe então onde ele está escondido?

RODRIGO  -  Não... mas com um pouco de inteligencia, o senhor encontra fácil. Ele estava esperando um encontro com outra pessoa, para escapar pra longe daqui... E essa pessoa foi ao encontro dele... na noite passada.

DELEGADO CASTRO  -  E daí? Quem é essa pessoa?

RODRIGO  -  Minha mulher. A índia Potira!

DELEGADO CASTRO  -  E o senhor sabe onde está sua mulher?

RODRIGO  -  Não, mas sei de quem sabe. O Dr. Maciel, o médico. Ele está por dentro. Sabe de tudo!


FIM DO CAPÍTULO  112
  e no próximo capítulo...

*** Pedro Barros, quase falido, decide vender sua fazenda e tem uma terrível surpresa quando o novo proprietário se apresenta para tomar posse das terras!!!

***   No próximo capítulo, importantes revelações sobre o roubo do diamante de João!

NÃO PERCA O CAPÍTULO 113 DE
ÚLTIMOS CAPÍTULOS! EMOÇÕES FINAIS!  


E VEM AÍ...
BASEADA NA NOVELA DE DIAS GOMES, GRANDE SUCESSO 
NOS ANOS 70!

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - chamada

             VEM AÍ...

                       
BASEADA NO GRANDE SUCESSO DE DIAS GOMES NOS ANOS 70,  LIVREMENTE ADAPTADA PARA OS DIAS ATUAIS POR TONY FIGUEIRA.


                         ESTRÉIA DIA  01 DE FEVEREIRO!

IRMÃOS CORAGEM - Capítulo 110


Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 

CAPÍTULO 110
PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:
RODRIGO
JUIZ
PEDRO BARROS
ESTELA
PROMOTOR
SINHANA
DR. MACIEL
MÁRCIA

CENA 1  -  COROADO  -  TRIBUNAL DO JURI  -  INT.  -  DIA.

Rodrigo dirigiu-se ao juiz mais uma vez solicitando a palavra, depois do depoimento de Cema e Braz Canoeiro.


RODRIGO  -  Meritíssimo, senhores jurados, peço a vossa atenção para a testemunha que agora irá depor. Seu depoimento vai jogar por terra toda a brilhante argumentação do meu ilustre colega, do Ministério Público. Dentro de alguns minutos estareis inteiramente convencidos de que não foi João Coragem quem matou Lourenço D’Ávila. Se alguém devia estar sentado no banco dos réus, não devia ser ele. (depois de uma pequena pausa e de manusear um bloco de anotações, Rodrigo voltou a falar)  Meritíssimo, peço que seja chamada a testemunha... Estela Barros!

A citação do nome da ex-mulher do coronel provocou intenso rebuliço no recinto do tribunal.

JUIZ  -  Dona Estela Barros, queira se apresentar para depor.

Elegantemente trajada e com os cabelos bem penteados, Estela sentou-se no banco das testemunhas.


Pedro Barros bufava, com os braços cruzados e o charuto empesteando o ambiente.


PEDRO BARROS  -  Essa sujeita! Teve coragem de vir depor!

Depois da identificação da testemunha, o juiz entregou-a ao advogado de defesa.


JUIZ  -  A defesa pode interrogar a testemunha.

RODRIGO  -  (dirigiu-se à mulher)  Dona Estela... quais eram suas relações com a vítima?

ESTELA  -  Bem... ele era empregado de meu marido. Isto é, de meu ex-marido...

RODRIGO  -  Só empregado? Ele não costumava acompanhá-la a alguns lugares?

ESTELA  -  Sim. Ele ás vezes me fazia companhia quando eu ia ao clube, jogar, por exemplo. Era muito amável e...

RODRIGO  -  (cortou o complemento da frase)  Essa amabilidade não era fruto de um sentimento mais íntimo?

ESTELA  -  O senhor está querendo insinuar que ele era apaixonado por mim. Sim... isto é verdade!

Pedro Barros inchou de raiva.

RODRIGO  -  Essa paixão era do conhecimento de seu ex-marido? O Coronel Pedro Barros sabia dos sentimentos do empregado para com a senhora?

ESTELA  -  No princípio, não. No fim ele acabou descobrindo. Depois do roubo do diamante.

PROMOTOR  -  (ergueu-se, possesso)  Protesto, meritíssimo. A defesa está tentando enlamear a honra de um homem que nada tem a ver com o crime que estamos julgando.

RODRIGO  -  Ao contrário.  O que a defesa quer provar é justamente que esse homem tem muito a ver com esse crime.

JUIZ  -  Protesto recusado!

RODRIGO  -  Dona Estela,  sendo tão íntima da vítima, ela não lhe confidenciou coisa alguma a respeito do roubo do diamante?

ESTELA  -  Claro! Ele me contou tudo, antes mesmo do roubo ser efetuado.

O depoimento alcançara o grau de gravidade que interessava à defesa. Dali era seguir pela trilha da verdade e encontrar a estrada da liberdade para o réu.


RODRIGO  -  Contou o quê?

ESTELA  -  Que meu ex-marido, Coronel Pedro Barros, havia mandado roubar o diamante!

O silencio que antecedera à revelação contrastava com a balbúrdia provocada pela confissão de Estela Barros.


PEDRO BARROS  -  (berrou do fundo do auditório, desesperado)  Isto é mentira! Esta mulher é uma mentirosa!

JUIZ  -  (repicava a sinêta desesperadamente)  Lembro mais uma vez ao auditório que não pode se manifestar!

RODRIGO  -  Mas... se Lourenço D’Ávila roubou o diamante a mando do coronel, por que não entregou a ele a pedra?

ESTELA  -  Lourenço traiu. Fugiu com o diamante deixando Pedro louco de raiva.

RODRIGO  -  E o coronel, que medidas tomou?

ESTELA  -  Chamou o delegado, furioso, e exigiu que Lourenço fosse preso.

RODRIGO  -  Não mandou, também, seus capangas em perseguição do fugitivo?

ESTELA  -  Não sei.  Mas é bem possível. Ele é homem pra isso.

Houve um protesto imediato do promotor, acatado pelo juiz. A defesa prosseguiu, logo após.


RODRIGO  -  A testemunha disse que, depois do roubo e da fuga de Lourenço, o Coronel Pedro Barros descobriu as relações amorosas que ela, testemunha, mantinha com a vítima.

ESTELA  -  Eu não disse que nós mantínhamos relações. Disse, apenas, que ele era apaixonado por mim. Eu não tinha culpa disso. E nunca lhe dei esperanças.

RODRIGO  -  Mas... o coronel acreditou nisso?

ESTELA  -  Não. Ele não acreditou. Expulsou-me de casa. E por isso nós nos desquitamos.

RODRIGO  -  Obrigado. É só, meritíssimo.

JUIZ  -  A testemunha está dispensada.

RODRIGO  -  Vejam, senhores jurados!  Após este depoimento o caso muda de figura. Está claro agora que Lourenço D’Ávila roubou o diamante de João Coragem a mando de seu patrão, o Coronel Pedro Barros. O próprio filho do coronel, Juca Cipó, participou do assalto que teve requintes de bestialidade, conforme o depoimento da testemunha Cema. Após o roubo, entretanto, Lourenço traiu Pedro Barros, seu patrão, fugindo com o diamante. Daí para frente, Pedro Barros teria tantas razões quanto João Coragem para eliminar o antigo capanga. E como se isso não bastasse, veio ele a descobrir que sua própria esposa o traía com Lourenço. Para um homem como Pedro Barros, ser duplamente traído é inadmissível. Desde aquele momento, Lourenço D’Ávila estava marcado para morrer. Peço aos senhores jurados que meditem sobre isso. Antes de cometer uma injustiça condenando um homem absolutamente inocente!

Ao retirar-se do recinto, Rodrigo fitou o rosto pálido do coronel. Uma máscara de ódio.


JUIZ  -  (voltou a falar, dirigindo-se aos presentes)  Peço às pessoas que aqui estão, com excessão dos senhores jurados, e dos senhores advogados de acusação e defesa, que se retirem da sala. Os senhores jurados vão permanecer para deliberar sobre a culpabilidade do réu. Está suspensa a sessão até a leitura da sentença.

CORTA PARA:

CENA 2  -  COROADO  -  TRIBUNAL DO JURI  -  INT.  -  DIA.

Durante hora e meia os jurados deliberaram sobre a inocência ou não de João Coragem. Agora o Tribunal novamente recolhia o público das primeiras horas. Eletrizado, João se mantinha ereto, absolutamente impassível, entre os dois soldados do destacamento policial.


O juiz levantou-se, no alto de seu estrado, e começou a ler a decisão da equipe de jurados.


JUIZ  -   ...assim, de acôrdo com as respostas dos senhores jurados, aos quesitos formulados, declaro o réu... culpado (mal se pôde ouvir o restante da sentença, ante a confusão que se estabeleceu) ... e condeno-o à pena de 20 anos de prisão celular.

SINHANA  -  Meu filho! (gritou, desolada)  Meu filho é inocente! Meu Deus do Céu! Mas isso é uma maldade muito grande!

Grossas lágrimas desciam incontroláveis dos olhos da velha. Jerônimo procurava acalmá-la.

CORTA PARA:

CENA 3  -  COROADO  -  HOSPITAL  -  INT.  -  DIA.

Do outro lado da cidade, Maciel erguia nos braços a criança que acabara de nascer.


DR. MACIEL  -  Mas é uma beleza de menino!

MÁRCIA  -  Um menino? (perguntou, feliz. Com o pensamento ligado ao marido distante).

DR. MACIEL  -  Por Deus que agora preciso de um trago. Duplo: para matar a sêde e saudar uma nova vida que surge!

FIM DO CAPÍTULO 110
Lídia (Sonia Braga), Rodrigo (José A. Branco), Alberto (Michel Robin) e Cema (Suzana Faini)
 e no próximo capítulo...

*** Falcão explode de contentamento ao comunicar na delegacia que João foi condenado!

***   Dalva vai á delegacia comunicar a João que seu filho nasceu.

***  Alberto se revolta com a mãe, Branca, e exige que conte a verdade, inocentando João. Como ela se recusa, o rapaz resolve contar tudo o que sabe a Rodrigo.

*** Jer|ônimo é afastado do cargo de prefeito de Coroado! 

NÃO PERCA O CAPÍTULO 111 DE
 ÚLTIMOS CAPÍTULOS! EMOÇÕES FINAIS!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

IRMÃOS CORAGEM - Capítulo 109


Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair 

CAPÍTULO 109
PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:
DELEGADO FALCÃO
JOÃO
ALBERTO
JUIZ
PROMOTOR
BRANCA
PEDRO BARROS
SINHANA
POTIRA
MANUEL ANDRADE
RODRIGO

CENA 1  -  COROADO  -  DELEGACIA  -  CELA DE JOÃO  -  INT.  -  DIA.

A hora tinha chegado. Dia claro, com algumas nuvens pintando de branco o azul do infinito. Com um charuto no canto da boca, Falcão chegou até a porta da cela, escancarando-a.


DELEGADO FALCÃO  -  Vamos indo, João. Chegou a tua hora.

O garimpeiro apertou as mãos do companheiro de prisão, visìvelmente intranquilo.

JOÃO  -  Reza por mim, Alberto.

ALBERTO  -  Vai com Deus. E pode estar certo de uma coisa: Teu julgamento é também o meu. A minha sentença.

CORTA PARA:

CENA 2  -  COROADO  -  TRIBUNAL DO JURI  -  INT.  -  DIA.

Dois soldados ladearam o prisioneiro até o Tribunal do Júri. Tribunal pobre, de paredes caiadas. No alto da parede, por trás do juiz, um crucifixo de madeira, com um Cristo em marfim. Sala repleta. O juiz segurou o martelo e pediu silencio.

Sob os olhares de piedade, raiva, curiosidade e amor, João Coragem surgiu pela porta traseira e sentou-se diante dos 7 jurados, de frente para o magistrado.

O juiz iniciou o interrogatório.


JUIZ  -  Seu nome?

JOÃO  -  João Coragem.

JUIZ  -  Idade?

JOÃO  -  32 anos.

JUIZ  -  Nome dos pais?

JOÃO  -  Sebastião Coragem e Ana Ribeiro Coragem.

JUIZ  -  Residência?

JOÃO  -  Uai... aqui mesmo, em Coroado. O senhor sabe.

JUIZ  -  Profissão?

JOÃO  -  Garimpeiro. Qué dizê... quando me deixavam. Agora, eu sou... vingadô, curandeiro, justiceiro... santo milagreiro... uma porção de coisas.

O auditório riu ante as palavras simples do réu. O juiz pediu silencio, badalando a sinêta.

JUIZ  -  O réu deve limitar-se a responder às perguntas.

JOÃO  -  Tou respondendo, uai.

JUIZ  -  O réu conhecia a vítima, Lourenço D’Ávila?

JOÃO  -  Conheci, sim senhô.

JUIZ  -  De acordo com os autos, o réu estêve em casa da esposa da vítima, em Morrinhos, no dia em que foi cometido o crime. Confirma?

JOÃO  -  Eu num sei, seu doutô, que dia foi cometido o crime. Só sei que estive lá, uma vez, uma semana depois do sem-vergonha do Lourenço ter roubado minha pedra.

JUIZ  -  Advirto o réu que deve referir-se à vítima com mais respeito.

JOÃO  -  Seu doutô juiz, me desculpe. Mas... que era um sem-vergonha, era, que Deus me perdoe.

O auditório tornou a rir e o magistrado, mais uma vez, badalou a sinêta, exigindo silencio. O juiz começava a impacientar-se com as tiradas do prisioneiro.

JUIZ  -  Quando roubaram sua pedra?

JOÃO  -  Durante a festa do Divino, do ano passado. Lourenço D’Ávila e mais três ou quatro capangas do Coronel Barros, invadiram minha casa, espancaro meu pai, judiaro de Cema e levaro o maior diamante encontrado por estas banda. Todo mundo sabe disso.

JUIZ  -  Por causa desse roubo o réu saiu em perseguição a Lourenço D’Ávila?

JOÃO  -  Logo, logo, não! Foi uma semana depois. Quando vi que os macaco aí da delegacia num ia fazê nada. Aí, eu decidi ir atrás do patife...

JUIZ  -  Quando tomou essa decisão, o réu tinha o propósito de matá-lo?

JOÃO  -  Tinha, sim, senhô. Mas não matei. Não matei porque não encontrei. Só por isso.

Um zumbido, como se um enxame de abelhas cruzasse o ar, tomou conta do auditório.


O promotor pediu a palavra e dirigiu-se aos jurados.

PROMOTOR  -  Senhores jurados, (com gestos teatrais)  está mais do que claro. O próprio réu confessou que partiu desta cidade em perseguição à vítima, com o propósito deliberado de matá-la. Chegando à casa de sua esposa, Dona Branca D’Ávila, declarou francamente suas intenções homicidas. O réu não nega isto. E, segundo o laudo médico, naquele mesmo dia, talvez minutos depois, Lourenço D’Ávila foi liquidado com requintes de maldade. Seu rosto foi completamente desfigurado e seu corpo atirado ao rio, só sendo encontrado uma semana depois. O réu nega o crime. Tratava-se de um homem violento, que foi capaz de organizar um bando de facínoras pra desafiar a lei e as autoridades. Quem conhece este homem, não pode duvidar de que ele conseguiu seu propósito. (apontou dramàticamente para João Coragem, humildemente vestido e com a barba crescida, de muitos meses)  Ele matou Lourenço D’àvila!

JOÃO  -  (interveio, colérico)  Nada disso é verdade! Tudo isso aí é um amontoado de mentira e de besteirada!

O promotor empalideceu. Ligeiro tumulto tomou conta da sala.


JUIZ  -  Silencio, senhores!

JOÃO  -  Por causa disso é que eu num me entregava! Porque sabia que isso aqui ia sê uma palhaçada! Tá aí! Dito e feito!

JUIZ  -  (batendo o martelo na mesa)  Advirto novamente o réu de que não pode se manifestar!

JOÃO  -  Eu num posso me manifestá? Ele diz um monte de baboseira e eu tenho de ficá calado?

JUIZ  -  Tem! Do contrário mandarei retirá-lo da sala e o julgamento prosseguirá sem a sua presença.

JOÃO  -  Tá bem...  cês tão com a força. Tá bem!

JUIZ  -  O senhor promotor tenha a bondade de prosseguir!

PROMOTOR  -  Peço ao meritíssimo que chame a testemunha, Dona Branca D’Ávila.

O juiz convidou a mulher a depor.

CORTA PARA:

CENA 3  -  COROADO  -  TRIBUNAL DO JURI  -  INT.  -  DIA.


BRANCA  -  Quando se despediu de mim, ele disse que ia acabar com a vida de meu marido.

Durante meia hora a mulher respondeu às perguntas da promotoria, construindo uma rêde de acusações contra o garimpeiro.

Pedro Barros assumiu o posto, logo após a saída de Branca D’Ávila. No melhor dos seus ternos, cordão de ouro saindo-lhe do bolso do colête, o coronel ergueu o busto como um soldado perfilado.


JUIZ  -  Seu nome?

PEDRO BARROS  -  Pedro Barros.

JUIZ  -  (perguntou, solene)  O senhor promete, sob palavra de honra, dizer a verdade, sobre tudo o que lhe for perguntado?

PEDRO BARROS  -  Prometo.

JUIZ  -  A testemunha está à disposição do Ministério Público, que pode inquiri-la diretamente.

O Promotor Luís preparou a cena, encaminhando-se lentamente para a testemunha de acusação.


PROMOTOR  -  Quais eram as relações da testemunha com a vítima?

PEDRO BARROS  -  Lourenço era meu empregado.

PROMOTOR  -  A testemunha admite que ele tenha roubado o diamante encontrado pelo réu?

PEDRO BARROS  -  Eu não sei de nada... é o que dizem. Eu não tenho nada com essa história.

JOÃO  -   (levantou-se protestando em altos brados)  Como é que não tem nada? Se foi ele quem mandou roubar?

JUIZ  -  Advirto o réu, pela última vez, que não tem o direito de se manifestar.

JOÃO  -  Mas é muito difícil, seu juiz, ouvi um camarada desse, dizê quie não tem nada com a história! Bancá o santo! Ele que não só mandô roubá  meu diamante, como também tem roubado todo mundo aqui, há anos e anos!

A  sinêta vibrou demoradamente e o juiz dirigiu-se ao réu com energia, meio descontrolado.

JUIZ  -  Ordeno que se cale!

JOÃO  -  (não deu ouvidos à determinação)  Este é o maior ladrão e assassino que já houve por estas bandas!

CORTA PARA:

CENA 4  -  TRIBUNAL DO JURI  -  INT.  -  DIA.


PROMOTOR  -  Peço ao meritíssimo que seja chamada a testemunha Manuel Andrade.

Por um momento o tribunal pareceu transformar-se numa feira livre. Ninguém jamais ouvira falar no nome da testemunha invocada pela acusação.

SINHANA  -  (voltando-se para Potira)  Quem é esse cara?

POTIRA  -  Sei não.  Nunca vi falar nesse nome.

O homem, magro e com amplas entradas na cabeça, tinha o aspecto doentio de um tuberculoso. Ombros estreitos, cuvados em circunflexo e um terno preto, esverdeado pelo uso. Figura repugnante.


MANUEL ANDRADE  -   ...prometo, sim, senhor.

PROMOTOR  -  Profissão?

MANUEL  ANDRADE  -  Boiadeiro, sim, senhor.

PROMOTOR  -  Residencia?

MANOEL  -  Cumo é?

PROMOTOR  -  Onde mora, onde trabalha?

MANOEL  -  Ah... lá pras riba de Morrinhos. Trabalhei muito tempo na Faznda do Coronel Tertuliano.

PROMOTOR  -  Que é que o senhor andava fazendo por aqui, em janeiro do ano passado?

MANOEL  -  Tava de passage...

PROMOTOR  -  Quando o senhor passou pela margem do rio Coroado, nas proximidades do garimpo dos Coragem... viu algo de anormal?

MANOEL  -  Me lembro que vi um home a cavalo, carregando outro home, que parecia desmaiado ou morto. Esse home chegô na beira do rio e jogô o outro dentro d’água. Dispois sumiu a galope. Era de manhãzinha. O dia tava nascendo.  Mas ainda era meio escuro.

PROMOTOR  -  E a testemunha, o que fez?

MANOEL  -  Eu? (perguntou, apontando para o próprio peito)  Eu cheguei perto do lugá onde ele tinha jogado o corpo... mas num vi mais nada. O corpo tinha sumido dentro d’água.

PROMOTOR  -  E o homem a cavalo? A testemunha seria capaz de reconhecê-lo?

MANOEL  -  Como já disse... inda tava meio escuro... mas, eu acho que... que se visse ele de novo...

Esticando um dedo curto e gordo, de unhas brilhantes, o promotor apontou para João Coragem.


PROMOTOR  -  Foi aquele homem que está ali sentado no banco dos réus?

O boiadeiro hesitou um pouco, fitando demoradamente o rsoto do acusado. João esperava. Finalmente, o magricela decidiu responder.


MANOEL  -  Acho que foi, sim senhor.

PROMOTOR  -  (insistiu)  Acha... ou tem certeza?

MANOEL  -  Tenho certeza!  Foi ele. Por essa luz que me alumia. Foi ele!

Vozerio e agitação transtornaram os trabalhos, paralisando-os por alguns segundos. A sinêta do juiz vibrou nervosamente.


PROMOTOR  -  Obrigado, meritíssimo!

JUIZ  -  A defesa quer interrogar a testemunha?

RODRIGO  -  Sim, meritíssimo.

Deu alguns passos no interior da sala, olhando fixamente os jurados.


RODRIGO  -  A testemunha disse que ainda era noite, quando se deu o fato que acabou de relatar.

PROMOTOR  -  (interveio)  Perdão, a testemunha não disse que era noite. Disse que o dia estava amanhecendo.

RODRIGO  -  Ou isso.   O fato é que não era ainda dia claro. Não é isso?

MANOEL  -  É, sim senhor.  Inda tava assim meio luscofusco.

RODRIGO  -  A que distancia se encontrava do tal homem?

MANOEL  -  (meio hesitante)  Assim, uma coisa como daqui, lá na igreja...

RODRIGO  -  Daqui lá na igreja deve ter pelo menos uns cem metros!

PROMOTOR  -  Protesto, meritíssimo!  O meu colega de defesa está querendo confundir a testemunha.

RODRIGO  -  Não estou querendo confundir nada. Ao contrário. Estou querendo precisar as coisas. Ainda que não haja cem metros daqui até a igreja, o fato é que a testemunha estava a uma distancia bastante grande para poder, naquela hora da manhã, distinguir as feições da pessoa que atirava o cadáver dentro d’água. (retornando ao banco de defesa, Rodrigo agradeceu ao juiz)  Obrigado, meritíssimo. Era só o que eu queria esclarecer.

JUIZ  -  A testemunha está dispensada.

O promotor retornou ao centro da sala.


PROMOTOR  -  Senhores jurados: as provas e os testemunhos apresentados são suficientes para chegarmos a uma conclusão: João Coragem matou Lourenço D’Ávila e o fez premeditadamente, com requintes de selvageria. Não há atenuante para esse crime, que seria apenas o primeiro elo de uma cadeia de muitos outros, que durante um ano revoltariam e tumultuariam toda esta região pacífica, cobrindo de vergonha  a nossa cidade e o nosso Estado. Por isso eu peço para o réu a pena máxima.E que os senhores jurados tenham consciência do seguinte: condenar João Coragem não é apenas punir um assassino. É agir em nome de Deus, da Família e da Sociedade!

FIM DO CAPÍTULO 109

 e no próximo capítulo...

*** A entrada de Estela no Tribunal, para depor como testemunha de defesa João Coragem causa enorme burburinho, e deixa Pedro Barros possesso, mais ainda, quando acusa o coronel de ter mandado roubar o diamanete de João!

***  Nasce o filho de João e Lara!

NÃO PERCA O CAPÍTULO 110 DE 
ÚLTIMOS CAPÍTULOS 
EMOÇÕES FINAIS!