quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - Capítulo 14

Novela de Toni Figueira
Inspirada na Obra de Dias Gomes


CAPÍTULO 14

Participam deste capítulo:

                                     D. DIDI  (Gracinda Freire)                                         
LAURO LEMOS (Carlinhos de Oliveira)
                      DELEGADO FONTOURA  (Urbano Lóes)       
       ZÉ GREGÓRIO (Adalberto Silva)
                                  MARIO MALUCO  (Osmar Prado)                       
           SAMUCA (Paulo José)
                                     RICARDINHO  (Carlos Vereza)                    
                MARIA LÚCIA (Aizita Nascimento)
                                  JUREMA  (Arlete Salles)                                 
       OLIVEIRA RAMOS) Mario Lago)
RENATÃO (Jardel Filho)
SUSI (Maria Claúdia)
HELÔ (Dina Sfat)

CENA 1  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  SALA  -  INT.  -  NOITE
HELÔ CHEGARA DA CASA DOS PAIS DE NÍVEA AINDA TRANSTORNADA COM AS ACUSAÇÕES QUE LHE FIZERA D. MARIETA. CRUZOU A SALA COMO UM FURACÃO.

O BANQUEIRO ESTAVA NA SALA E TENTOU DETÊ-LA.

OLIVEIRA RAMOS  -  Helô! Helô, espere, minha filha!

A JOVEM FOI DIRETAMENTE PARA SEU QUARTO E TRANCOU A PORTA ATRÁS DE SI.

CENA 2  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  CORREDOR  -  INT.  -  NOITE.

OLIVEIRA RAMOS FOI NO ENCALÇO DA FILHA E BATEU NA PORTA DO QUARTO.

OLIVEIRA RAMOS  -  Abra essa porta, pelo amor de Deus, minha filha!

TIROU UMA CHAVE DO BOLSO DO PIJAMA E ABRIU A PORTA DO QUARTO.

CORTA PARA:

CENA  3  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  QUARTO DE HELÔ  -  INT.  -  NOITE

O ROSTO DO BANQUEIRO DESANUVIOU-SE. HELÔ SOLUÇAVA, DEITADA NA CAMA.

OLIVEIRA RAMOS  -  Que aconteceu?

A RAIVA DA MOÇA AINDA NÃO SE DISSIPARA.
 
HELÔ  -  Maldita estúpida! Você acha que eu sou culpada da morte de Nívea?
 
Houve uma pausa. Depois, a moça continuou, apàticamente.

HELÔ  -  Foi o que ela disse... a mãe de Nívea!

OLIVEIRA FECHOU BEM OS OLHOS, RESISTINDO A UMA ONDA DE INDIGNAÇÃO.

OLIVEIRA RAMOS  -  Não diga isso! Você não tem culpa de nada! Não pode ter! Vou lhe dar um calmante... Miss July!

HELÔ  -  (repetia baixinho) Eu sou culpada! Eu sou culpada!

OLIVEIRA RAMOS  -  Não fique dizendo isso, que alguém pode ouvir... depois acabamos envolvidos nessa encrenca! (e voltando o rosto na direção da porta entreaberta)  Miss July, o calmante de Helô! Telefone também para o Dr. Oto vir aqui, depressa!

COM A MÃO DIREITA, O BANQUEIRO ESTALOU UMA BOFETADA NO ROSTO DA FILHA, PARA FAZÊ-LA VOLTAR A SI. A MOÇA PRORROMPEU NUM PRANTO NERVOSO.

CORTA PARA:

CENA 4  -  APARTAMENTO DE RENATÃO  -  SALA  -  INT.  -  DIA

QUANDO O PLAYBOY CHEGOU EM CASA, SUSI O AGUARDAVA E ATIROU-SE EM SEUS BRAÇOS COM UM LEVE SUSPIRO.

SUSI  -  Já sabe o que aconteceu?

RENATÃO  -  (com uma estranha dureza e cinismo na voz) Puxa, tanta coisa aconteceu! O dólar subiu, os egípcios derrubaram um avião judeu, Otan bombardeia a Síria, Kadafi continua foragido...

SUSI  -  (cortou, bastante agitada)  -  Falo de Nívea!...
 
RENATÃO  -  Li nos jornais. Coitada... impressionante.

SUSI  -  Fiquei preocupada...

RENATÃO  -  (curiosamente interessado)  Por quê?

SUSI  -  Por causa daquela história que você me contou... das fotos... e da ameaça que ela fez...

RENATÃO  -  É. O prazo que ela me deu para devolver as fotos terminava ontem á meia-noite. Que coincidência, não? Foi uma morte horrível...

CORTA PARA:

CENA 5  -  APARTAMENTO DE JUREMA  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

JUREMA ESTAVA BASTANTE NERVOSA QUANDO RICARDINHO E MARIO MALUCO CHEGARAM.

JUREMA  -  Você já soube, Ricardinho?

RICARDINHO FITOU-A E DEU UM SORRISO, COMO SE DESCONFIASSE DELA.
 
RICARDINHO  -  Claro!

JUREMA  -  (na defensiva)  Não entendi  o sorrisinho de ironia...

RICARDINHO  -  (provocou)  Não mesmo?

JUREMA  -  Não. Se quer saber, eu também desconfio de você.  E essa suspeita aumentou  ainda mais depois que eu soube que Nívea ia se casar com o padre e te deu um fora!   Por isso você andava naquele baixo astral! E eu que pensava que era por ter de escolher entre mim e ela...
 
RICARDINHO DEU UMA GARGALHADA NERVOSA. BATEU NO OMBRO DE JUREMA E CONCLUIU:

RICARDINHO  -  Você acha que eu ia hesitar? Eu tava gamado por ela!  Gamado mesmo! E ela ia casar com aquele padre! Não ia não! Eu disse isso a ela!

JUREMA OLHOU PARA RICARDINHO COM CERTA CONSTERNAÇÃO. O SILENCIO, POR ALGUNS INSTANTES, FOI PERTURBADOR. SEUS OLHOS TREMERAM BREVE E DIVERTIDAMENTE.

JUREMA  -  Você disse? E alguém sabe disso?

RICARDINHO  -  Não. Somente você sabe agora!

JUREMA  -  Mas por quê?

RICARDINHO COÇOU A NUCA NO GESTO DE QUEM REFLETE.

RICARDINHO  -  Porque, se souberem, vão suspeitar é de você!

CORTA PARA:

CENA 6  -  DELEGACIA DE POLÍCIA  -   SALA DO DELEGADO FONTOURA  -  INT.  -  DIA

O DELEGADO FONTOURA OUVIA COM TODA ATENÇÃO O DEPOIMENTO DO COLUNISTA LAURO LEMOS.

LAURO LEMOS  -  (chocado)  Ainda não dá para acreditar, delegado, que uma moça tão bela e meiga tenha sido brutalmente assassinada. Só não entendo por que fui chamado pra depor...

DELEGADO FONTOURA  -  Sou o delegado encarregado desse caso e estou intimando todas as pessoas que estavam no Castelinho à hora do assassinato.
 
LAURO LEMOS  -  (embaraçado)  O pior é que eu estava sim, doutor, com alguns amigos... e nós ouvimos uns gritos de socorro vindos da praia... Infelizmente, pensamos que se tratava de mais um escândalo entre casais...

DELEGADO FONTOURA  -  (com frieza) E então?

LAURO LEMOS  -  Por isso ninguém se importou...

CORTA PARA:

CENA 7  -  PENSÃO PRIMAVERA  - RECEPÇÃO  -  INT.  -  DIA.

ZÉ GREGÓRIO, A ESPOSA D. DIDI,  A FILHA, MARIA LÚCIA E SAMUCA, QUE TAMBÉM ERA HÓSPEDE DA PENSÃO,  DISPUTAVAM UM ESPAÇO Á FRENTE DO JORNAL, PARA LER  A NOTÍCIA QUE CAUSOU GRANDE IMPACTO JUNTO AOS HÓSPEDES.

D. DIDI  -  Coitada...

SAMUCA  -  Ainda não tou acreditando...

ZÉ GREGÓRIO  -  (balançou a cabeça, com pesar) Mas é verdade, Seu Samuca. Fui eu que encontrei o corpo nas pedras...

NESSE INSTANTE O DELEGADO FONTOURA ADENTROU NO RECINTO, ACOMPANHADO POR DOIS DETETIVES.

DELEGADO FONTOURA  -  Seu Zé Gregório?

TODOS SE VOLTARAM, ASSUSTADOS.

ZÉ GREGÓRIO  -  (adiantou-se, tranquilo)  Pois não, sou eu!

DELEGADO FONTOURA  -  O senhor está preso como suspeito do assassinato de Nívea Louzada!

CORTA PARA:
 
CENA  8  -  DELEGACIA -  SALA DO DELEGADO FONTOURA  -  INT.  DIA.

NA DELEGACIA, HÁBILMENTE INTERROGADO, ZÉ GREGÓRIO DEU O SERVIÇO.

ZÉ GREGÓRIO  -  A moça tinha um namorado, um tal de Ricardinho, o mesmo que, quando ela ia se afogando, nada fez para salvá-la. Estou lhe dizendo, doutor, ele queria que ela morresse!

CORTA PARA:

CENA 9  -  DELEGACIA  -  SALA DO DELEGADO FONTOURA  -  INT.  -  DIA.

D. DIDI E MARIA LÚCIA ENTRARAM NA SALA E SE DIRIGIRAM AO DELEGADO FONTOURA.

DIDI  -  Boa tarde, seu delegado. Queremos saber os motivos da detenção do meu marido!

DELEGADO FONTOURA  -  (seco)  Não há nenhum motivo! Apenas a lei faculta ao delegado deter por vinte e quatro horas qualquer pessoa para interrogatório.

D. DIDI  -  Ah! Mas garanto que os amiguinhos grã-finos que ela tinha, o senhor não prendeu. Para esses o doutor não usou a lei! É sempre assim, a corda só estoura pro lado mais fraco!

A SURPRESA ENCOBRIU O ROSTO DE FONTOURA.

DELEGADO FONTOURA  -  (voz baixa e contida)  Como é que  a  senhora  sabe  que  a vítima   tinha  amiguinhos  grã-finos? A senhora a conhecia?

D. DIDI  -  Não, mas minha filha era amiga dela.
 
MARIA LÚCIA  -  (completou)  Amiga da praia... Ela vivia numa roda de grã-finos, embora fosse filha de um bancário.

DELEGADO FONTOURA  -  (desconfiado)  Está certo... Estou sentindo que há algo de suspeito nisso... mas não consigo imaginar o que é. Bem, é provável que eu queira ouvi-la qualquer dia desses. Mandarei chamar.

D. DIDI  -  Olha, seu Delegado, viemos aqui pra buscar meu marido, um homem de bem, honesto e trabalhador! Se ele ficar preso, o senhor vai ter que prender eu e minha filha, porque não arredamos o pé daqui sem ele!

MARIA LÚCIA  -  (encarou o delegado, desafiadora) É isso mesmo! Ou o senhor solta meu pai... ou prende a gente com ele!
                        
FIM DO CAPÍTULO 14
Mario Maluco (Osmar Prado)    


e no próximo capítulo...

*** Sob forte comoção dos pais, amigos e repórteres, Nivea é enterrada.

*** Sem saber da tragédia, Vítor retorna de São Paulo.

NÃO PERCA O CAPÍTULO 15 DE 
 
                 

         

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - Capítulo 13

Novela de Antonio Figueira
Inspirada na Obra de Dias Gomes

CAPÍTULO 13

Personagens deste capítulo:

RICARDINHO (Carlos Vereza)
DANUSA (Heloísa helena)
MARIO MALUCO (Osmar Prado)
MISS JULY (Lídia Mattos)
HELÔ (Dina Sfat)
EMILIANO (Paulo Padilha)
MARIETA (Vanda Lacerda)
DELEGADO FONTOURA (Urbano Lóes)
ZÉ GREGÓRIO
(Adalberto Silva)


CENA 1  -  PRAIA DE IPANEMA  -  EXT.  -  DIA.


NAS PRIMEIRAS HORAS DA MANHÃ A PRAIA ESTAVA DESERTA AINDA, QUANDO O GUARDA-VIDAS ZÉ GREGÓRIO, COMO DE COSTUME, CHEGOU AO SEU LOCAL DE TRABALHO -  O POSTO DE SALVAMENTO DO CASTELINHO. O HOMEM ESPREGUIÇOU-SE E RESPIROU FUNDO, PRENDENDO O AR PURO NOS PULMÕES. FOI NESTE MOMENTO QUE O MENINO SURGIU E CHAMOU SUA ATENÇÃO, AGITADO. APONTAVA PARA UM LOCAL CHEIO DE PEDRAS, JUNTO AO PAREDÃO. OS DOIS SAÍRAM CORRENDO PARA O LOCAL. ZÉ GREGÓRIO PAROU, OLHOS ARREGALADOS, AO DEPARAR COM A IMAGEM DO  CORPO DE MULHER IMÓVEL ENTRE AS PEDRAS.

CORTA PARA:

CENA 2  -  APARTAMENTO DE EMILIANO  -  SALA - INT.  -  DIA.


ERAM QUASE 8 DA MANHÃ QUANDO A CAMPAINHA TOCOU E MARIETA CORREU A ABRIR A PORTA, ALIVIADA, SEGUIDA PELO MARIDO.

MARIETA  -  Graças a Deus! Deve ser ela...

O DELEGADO ZÉLIO FONTOURA SURGIU DIANTE DO CASAL AFLITO, A EXPRESSÃO SÉRIA, DE PESAR NO OLHAR.

EMILIANO  -  Delegado Fontoura! O senhor aqui a esta hora...

MARIETA  -  (atropelando)  O que aconteceu? Onde está minha filha?

DELEGADO FONTOURA  -  Eu sinto muito... mas não trago boas notícias...

MARIETA  -  (gemeu, pressentindo o pior) Minha filha!

MARIETA EMPALIDECEU. SENTINDO-SE QUASE DESFALECER, APOIOU-SE NO MARIDO, QUE A AJUDOU A SENTAR NO SOFÁ.

EMILIANO  -  (as pernas trêmulas, fitou o delegado, temendo a verdade)  Fale, delegado! Onde está minha filha?

DELEGADO FONTOURA  -  Sua filha  Nívea foi encontrada esta manhã na praia de Ipanema... ela caiu... ou foi atirada do alto do paredão. Teve o crânio fraturado na queda.

MARIETA SOLTOU UM GRITO DE DESESPÊRO. EMILIANO SENTIU O CHÃO FUGIR-LHE DOS PÉS.

EMILIANO  -  (procurando forças para fazer a pergunta) Ela... ela... está... morta?

DELEGADO FONTOURA  -  (assentiu, com tristeza) Eu sinto muito.

MARIETA IRROMPEU NUM PRANTO CONVULSIVO,  ANGUSTIADO. LEVANTOU-SE E FOI AGARRADA COM SOFREGUIDÃO POR EMILIANO, QUE NÃO SE AGUENTOU E ENTREGOU-SE AO DESESPÊRO, APOIANDO A CABEÇA NOS OMBROS DA MULHER.

CORTA PARA:

CENA  3  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  QUARTO DE HELÔ  -  INT.  DIA.

HELÔ DORMIA AINDA QUANDO MISS JULY ENTROU EM SEU QUARTO, MUITO NERVOSA.

MISS JULY  -  Helô! Helô, acorde!

HELÔ ABRIU OS OLHOS PREGUIÇOSAMENTE, MAU HUMORADA.

HELÔ  -  Me deixa dormir, Miss July... Sai daqui...
        
MISS JULY  -  (insistiu)  Helô, aconteceu uma coisa terrível! Uma desgraça! Tá dando na TV a toda hora!

HELÔ  -  (zonza ainda, sentou-se na cama, de um salto, esfregando os olhos) Não me assuste... fale de uma vez!

MISS JULY  -  (com os olhos cheios de lágrimas)  É a Nívea... sua amiga... Ela... está morta!

HELÔ PULOU DA CAMA COMO QUE IMPULSIONADA POR UMA MOLA, OLHOS ARREGALADOS.

HELÔ  -  O... o que você disse? Tá louca, Miss July? Tá louca?

HELÔ SEGUROU A GOVERNANTA PELOS DOIS BRAÇOS E SACUDOU-A, FOR A DE SI.

HELÔ  -  Isso não é verdade! É mentira! Diga que é mentira! Diga, sua idiota!

CHORANDO, MISS JULY  NÃO ESBOÇAVA QUALQUER REAÇÃO.

CORTA PARA:

CENA 4  -  APARTAMENTO DE EMILIANO  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

MARIETA E EMILIANO NÃO ESTAVAM AINDA REFEITOS DO CHOQUE QUANDO HELÔ IRROMPEU NO APARTAMENTO COMO UM FURACÃO.

HELÔ  -  Onde está?... onde está Nívea? Diga que não é verdade! Diga que ela não morreu!

MARIETA LEVANTOU-SE E VEIO EM DIREÇÃO A HELÔ. EM SEU OLHAR HAVIA UM BRILHO DE ÓDIO.

MARIETA  -  (ríspida)  Você estava com ela?

HELÔ  -  Não! Eu, não!

MARIETA  -  Mas você deve saber! Você é que a levava pra essas festas, esses passeios! Antes de conhecer você ela nunca chegou em casa depois da meia-noite! Foi sua amizade que botou minha filha a perder!

EMILIANO PROCUROU CONTORNAR A SITUAÇÃO.

EMILIANO  -  Marieta! Ela não tem culpa...

MARIETA  -  (indignada) Como não tem? Ela é a maior culpada! Você matou minha filha!

MARIETA AVANÇOU CONTRA HELÔ PARA AGREDI-LA, MAS FOI CONTIDA POR EMILIANO, QUE SEGUROU-A COM FIRMEZA.

HELÔ  -  (profundamente abalada)  A senhora é injusta... Eu nunca quis fazer mal a Nívea... Ela era minha amiga... Minha melhor amiga!

MARIETA  -  (replicou, brutalmente)  E isso foi a desgraça dela! Antes ela nunca tivesse conhecido você!

CORTA PARA:

CENA 5  -  APARTAMENTO DE DANUSA  -  SALA  -  INT.  -  TARDE.

DANUSA CONVERSAVA ANIMADAMENTE AO TELEFONE QUANDO A CAMPAINHA TOCOU.

DANUSA  -  (ao telefone) Um momento, Rodolfo Augusto. Fica na linha que vou abrir a porta.

DANUSA ABRIU, DANDO PASSAGEM A MARIO MALUCO.

MARIO MALUCO  -  Oi, D. Danusa, o Ricardinho  tá em casa?

DANUSA APONTOU PARA O QUARTO DO FILHO.

DANUSA  -  São duas da tarde e até agora não acordou. Vá. Vá acordar ele!

MARIO ENCAMINHOU-SE PARA O QUARTO ENQUANTO DANUSA RETOMAVA SUA CONVERSA AO TELEFONE.

DANUSA  -  Oi, Gugu. Era o Mariozinho, filho do delegado,  procurando Ricardinho. Voltando ao assunto: hoje, acordei, me olhei no espelho e soltei um grito terrível de horror! Por quê? Uma tragédia, meu querido, você nem imagina! Duas rugas surgiram nos cantos da boca pra me assombrar! Quase chorei de desespero, Gugu. Foi aí que tomei a decisão: vou entrar na faca outra vez! Não fico com essas rugas nem morta!

CORTA PARA:

CENA  6  -  APARTAMENTO DE DANUSA  -  QUARTO  DE RICARDINHO -  INT.  -  TARDE.

RICARDINHO SENTOU NA CAMA, ESPREGUIÇANDO-SE.

MARIO MALUCO  -  (observando os arranhões no rosto do amigo)  O que foi isso no teu rosto, cara? Tá todo arranhado...

RICARDINHO  -  Caí de moto ontem... mas tá tudo bem. Queda boba...

MARIO MALUCO  -  Já leu o jornal?

MARIO TIROU DO BOLSO UM JORNAL DOBRADO E MOSTROU AO COMPANHEIRO.

RICARDINHO  -  (leu em voz alta)  “Linda Jovem Morta na Praia”

APENAS OS MÚSCULOS DO ROSTO DE RICARDINHO SE CONTRAÍRAM.

RICARDINHO  -  Nívea... é ela?... É ela mesma?!

MARIO MALUCO  -  Sim, tá aí no jornal! Eu já sabia antes. Meu velho falou com o Distrito de manhã e disseram.

RICARDINHO ESTAVA TENSO. CAMINHOU PELO QUARTO, ANGUSTIADO, ABRIU A PORTA E DIRIGIU-SE PARA A SALA, SEGUIDO PELO AMIGO.

CENA 7  -  APARTAMENTO DE DANUSA – SALA – INT.  - TARDE        

RICARDINHO, DESCONTROLADO, DEU UM MURRO NO ESTOFADO DA POLTRONA.

DANUSA  -  (espantada)  Que é isso, Ricardinho? Perdeu o juízo? (e voltou ao telefone)  Não é nada, Rodolfo Augusto; é meu filho que ás vezes tem uns ataques histéricos...

MARIO MALUCO  -  Não adianta perder a cabeça, Ricardinho. Vai ser pior.

RICARDINHO LEVANTOU OS OLHOS PARA O AMIGO, DE PÉ Á SUA FRENTE.

RICARDINHO  -  Onde está o corpo, você sabe? Eu preciso ver!

CORTE PARA DANUSA  AO TELEFONE.

DANUSA  -  Escute aqui, Rodolfo Augusto, você é o maior costureiro desta paróquia e vai me dizer uma coisa da maior importância: você não acha que o uso do paetê já está ficando cafona?

RICARDINHO E MARIO SAÍRAM ABRUPTAMENTE.


FIM DO CAPÍTULO 13
Nívea (Renata Sorrah)
e no próximo capítulo...
*** O que fará Helô após ter sido acusada  por Marieta como  responsável pela morte da filha,  Nívea?
 ***  Susi estranha a reação de alívio e ironia de Renatão ao comentar a morte de Nívea. O que teria o playboy a ver com o crime?
*** O que levou o Delegado Fontoura a ir á Pensão Primavera e prender o guarda-vidas Zé Gregório?
NÃO PERCA O CAPÍTULO 14 DE 
 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - Capítulo 12

Novela de Toni Figueira
Inspirada na  obra de Dias Gomes

Tema de Nívea (Denise Emmer) http://youtu.be/jJ62i5p1Tls

CAPÍTULO 12

Personagens deste capítulo:

NÍVEA (Renata Sorrah)
HELÔ (Dina Sfat)
RENATÃO (Jardel Filho)
VÍTOR (Francisco Cuoco)
RICARDINHO (Carlos Vereza)
MARIO MALUCO (Osmar Prado)
SUSI (Maria Claudia)
JUREMA (Arlete Salles)
EMILIANO (Paulo Padilha)
MARIETA (Wanda Lacerda)
ZÉ GEGÓRIO (Adalberto Silva)
KONSTANTÓPULUS (Lajar Muzuris) 

CENA 1  -  APARTAMENTO DE JUREMA  -  SALA  -  INT.  -  DIA.
JUREMA PRAPAROU UM UÍSQUE ON THE ROCKS, E ENTREGOU NAS MÃOS DE RICARDINHO, QUE ASSISTIA TV, REFASTELADO NO SOFÁ.

JUREMA  -  Prontinho, amor. Do jeito que você gosta...

RICARDINHO  -  Ok, mas vê se pára de me chamar de amor, pô! Quem vê, acha que tenho alguma coisa com você!

JUREMA  -  (ofendida)  Nossa, que grosso! Só queria ser amável com você...

A CAMPAINHA TOCOU. JUREMA ABRIU A PORTA E MÁRIO MALUCO ENTROU E SENTOU-SE AO LADO DO AMIGO.

MÁRIO MALUCO  -  Oi, Jurema! (e para Ricardinho) Fala aí, mano! Verinha me deu recado pra vir te encontrar no apê da Jurema...

JUREMA LANÇOU UM OLHAR DESCONFIADO AOS DOIS E DIRIGIU-SE PARA A COZINHA. RICARDINHO FOI ATÉ O CORREDOR PARA CERTIFICAR-SE DE QUE NÃO ERAM OUVIDOS E RETORNOU, MODULANDO A VOZ.

RICARDINHO  -  O negócio é o seguinte, cara: Nívea voltou de Ibiúna com  o tal padreco e falou na minha cara que vão se casar!

MARIO MALUCO  -  (confuso)  Casar com um padre?

RICARDINHO  -  (irritado)  Ele vai largar a batina, pô! Cara, eu não vou perder essa parada pra um padre! É muita humilhação! Tô te dizendo, Mario: eles não vão se casar! Eu não vou deixar! Te chamei aqui porquê preciso da tua ajuda, irmão!

MARIO MALUCO  -  (indignado)  Que traíra essa Nívea, hem! Quem diria... Tu sabe que tu pode contar comigo. Tô contigo pro que der e vier!

RICARDINHO  -  (refletiu por um instante) Tava pensando em dar um susto naqueles dois... o que tu acha?

MARIO MALUCO  -  Taí, gostei! Qual a idéia?

JUREMA SURGIU NA SALA, COM VISÍVEL MAU HUMOR.

JUREMA  -  (explodiu) Posso saber por que estão cochichando? O que tão escondendo de mim? Eu ouvi o nome dela, da loirinha, a tal de Nívea! Se pensam que sou idiota, estão muito enganados! Já tou ficando cheia dessa mulher!

RICARDINHO  -  (cortou, grosseiro)   Qual é, Jurema? Deu pra ouvir atrás da porta agora?

JUREMA  -  Eu não estava atrás da porta. Tava passando e ouvi o nome dela! Nívea, Nívea, sempre ela!

RICARDINHO  -  Não se mete nisso! Tou avisando! Fica fora disso!

JUREMA  -  Isso é o que você pensa, meu amor. Essa história já está indo longe demais. Tá chegando a hora de tomar uma atitude, antes que seja tarde!...

CORTA PARA:

CENA 2  -  APARTAMENTO DE EMILIANO  -  BANHEIRO  -  INT.  -  DIA.

DEPOIS DOS MOMENTOS ANGUSTIANTES NA PRAIA, NÍVEA RELAXAVA COM UMA BOA CHUVEIRADA. FECHOU OS OLHOS E DEIXOU A ÁGUA ESCORRER POR TODO SEU CORPO. DEPOIS DE UM TEMPO, SAIU DO BOX ESFUMAÇADO, ENROLOU UMA TOALHA EM VOLTA DO CORPO E OUTRA NOS CABELOS MOLHADOS, EM FORMA DE TOUCA.

CORTA PARA:

CENA 3  -  APARTAMENTO DE EMILIANO  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

VÍTOR GIROU A CHAVE NA FECHADURA E ENTROU NO APARTAMENTO. ASSUSTADA, NÍVEA SURGIU NA SALA, AINDA ENROLADA NA TOALHA.

NÍVEA  -  (reagiu com alívio ao ver quem era)  Vítor! É você... que bom, meu amor!

VÍTOR  -  (admirando a beleza da jovem)  Você é linda, Nívea. Fica ainda mais bela assim, ao natural...

NÍVEA  -  (sorriu, tímida) Acabei de sair do banho... Estava sozinha. Ouvi um barulho e vim ver...

VÍTOR  -  Seus pais foram trabalhar e me deram uma cópia da chave. Precisava resolver umas coisas antes de ir a São Paulo.

NÍVEA  -  (insinuante) Então estamos sozinhos...

VÍTOR FITOU-A DOS PÉS À CABEÇA, APAIXONADO.

VÍTOR  -  Seus olhos... sua boca... sua pele...  eu amo tudo em você...

NÍVEA ACHEGOU-SE MAIS, A EXPRESSÃO DE DESEJO NO OLHAR.

NÍVEA  -  Eu te amo, Vítor. Te quero muito.

VÍTOR ERGUEU AS MÃOS PARA TOCÁ-LA, MAS, NO ÚLTIMO MOMENTO, DEU-LHE AS COSTAS, COMO QUE PARA EVITAR A TENTAÇÃO QUE O DOMINAVA.

VÍTOR  -  Não, Nívea. Temos que fazer a coisa certa. Eu não posso tocar você enquanto não for liberado dos meus votos. Ainda sou um padre! Falta pouco tempo... não podemos fraquejar agora!

O TELEFONE TOCOU. NÍVEA ATENDEU, SOB O OLHAR ATENTO DE VÍTOR. ERA HELÔ.

HELÔ  -  (voz em off) Nívea, sou eu. Queria pedir desculpas por ontem... eu estava muito nervosa...

NÍVEA  -  Eu percebi. Você me deixou assustada, sabia?

HELÔ  -  (off) Por favor... venha aqui em casa. Preciso falar com você!

NÍVEA PÔS A MÃO NO BOCAL E OLHOU PARA O NOIVO.

NÍVEA  -  É a Helô... (e voltou a falar no fone) Sinto muito, Helô, mas eu não posso!

HELÔ  -  (off) Ele está aí, não é? O padreco... vocês estão juntos!...

NÍVEA NÃO RESPONDEU.

HELÔ  -  (off) Escuta, Nívea, se você não vier, vou fazer uma besteira! Você vai ficar com remorso pro resto da sua vida!

NÍVEA  -  (balançou a cabeça, impaciente) Está bem, Helô… mas agora não posso. Mais tarde eu vou aí pra te ver.

HELÔ  -  (off)  Promete?

NÍVEA  -  Prometo. (desligou e dirigiu-se a Vítor) Era Helô. Como sempre, fazendo chantagem pra me obrigar a ir à casa dela. Prometi que iria, mas não vou. Cansei dos seus ataques de filhinha de papai mimada!

CORTA PARA:

CENA 4  -  APARTAMENTO DE RENATÃO  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

KOSTANTÓPULUS ABRIU A PORTA E SUSI ENTROU, ANIMADA.

SUSI  -  Oi, Konstan! Renatão tá aí?

KONSTANTÓPULUS  -  Está no atelier, D. Susi.

RENATÃO SURGIU NA SALA, SORRIDENTE.

RENATÃO  -  Meu amor, que surpresa! Você aqui a esta hora?

SUSI  -  Meu noivo estava cansado, me dispensou mais cedo e vim matar as saudades.

RENATÃO  -  (sorriu,  malicioso) Fez muito bem... muito bem. Vem...

RENATÃO CONDUZIU A JOVEM PARA O ATELIER, SOB O OLHAR MAROTO DO MORDOMO.

KONSTANTÓPULUS  -  (para si)  Que avião! Ah, se eu tivesse essa sorte...

CORTA PARA:

CENA 5  -  APARTAMENTO DE EMILIANO  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

EMILIANO, MARIETA E NÍVEA DESPEDIAM-SE DE VÍTOR.

EMILIANO  -  Boa viagem, meu amigo!

MARIETA  -  Vá com Deus, pad... desculpe... ainda não me acostumei a chamar você de Vítor... É a força do hábito...

VÍTOR  -  Fique tranquila, D. Marieta. Vamos ter todo o tempo do mundo pra isso. Afinal, agora somos da mesma família.

NÍVEA ADIANTOU-SE E ABRAÇOU O HOMEM AMADO.

NÍVEA  -  Boa viagem, meu amor.

O TELEFONE TOCOU E MARIETA ATENDEU.

MARIETA  -  Alô... sim, está... quem quer falar com ela? Um momento, por favor... (e para Nívea) Filha, é para você. Voz de mulher... não quis dizer o nome.

NÍVEA  -  (atendeu) Alô! Sim, sou eu. Quem é você? Escute aqui, eu não... Alô! Alô!

NÍVEA DEPOSITOU O FONE NO GANCHO, GESTOS NERVOSOS, VISIVELMENTE PERTURBADA. VÍTOR, EMILIANO E MARIETA PERCEBERAM A MUDANÇA NO SEMBLANTE DA JOVEM.

MARIETA  -  Filha, você está pálida... quem era? Aconteceu alguma coisa?

VÍTOR  -  Meu amor, você está bem? Parece tensa...

NÍVEA  -  (tentou disfarçar com um sorriso quase forçado)  Não é nada... era engano.

VÍTOR  -  (consultou o relógio de pulso)  Bom, eu vou indo, ou acabo perdendo a hora do embarque.

VÍTOR E NÍVEA ABRAÇARAM-SE MAIS UMA VEZ, SOB O OLHAR DE APROVAÇÃO DOS PAIS DA JOVEM. O RAPAZ SAIU, LEVANDO UMA PEQUENA MALA DE VIAGEM.  

CENA 6  -  PENSÃO PRIMAVERA  -  SALA DE JANTAR  -  INT.  -  NOITE

SENTADOS A UMA MESA DA SALA DE JANTAR, VAZIA ÀQUELA     HORA,     O     GUARDA  -  VIDAS    ZÉ    GREGÓRIO DESABAFAVA COM A ESPOSA, D. DIDI E A FILHA, MARIA LÚCIA.

ZÉ GREGÓRIO  -  ... isso não me sai da cabeça... Fiquei impressionado com a frieza daquele rapaz. Ele queria que a moça se afogasse!...

D. DIDI  -  Que horror!

MARIA LÚCIA  -  Tem certeza, pai?

ZÉ GREGÓRIO  -  Vi quando ele levou a coitada pra nadar justamente onde estava a placa de perigo... depois, quando ela começou a se debater e a gritar, ele saiu da água e ficou olhando, sem mover um dedo pra salvá-la... Se eu não estivesse de olho nos dois, ela teria se afogado e, quem sabe, estaria  morta agora...

D. DIDI FEZ O SINAL DA CRUZ, HORRORIZADA.

CORTA PARA:

CENA  7  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  QUARTO DE HELÔ  -  INT.  -  NOITE.
BASTANTE ANSIOSA E INQUIETA, HELÔ CAMINHAVA, DE UM LADO PARA O OUTRO. FOI À JANELA,OLHOU PARA A RUA E SENTOU NA CAMA. MISS JULY BATEU NA PORTA E ENTROU.

MISS JULY  -  Helô, o jantar está servido, querida. Venha.

HELÔ  -  Não quero, obrigada. Estou sem apetite. (T) Miss July... que horas são?

MISS JULY  -  Nove horas. Tem certeza de que não vai comer nada? Posso fazer um lanche...

HELÔ  -  (cortou) Não quero nada, obrigada.

MISS JULY OLHOU-A, PREOCUPADA, E SAIU DO QUARTO.

CORTA PARA:

CENA  8  -  APARTAMENTO DE EMILIANO  -  SALA  -  INT. -  NOITE

MARIETA  -  Vai sair a esta hora, filha? São onze da noite...

PEGA EM FLAGRANTE, APESAR DOS ESFORÇOS PARA NÃO SER VISTA SAINDO DE CASA, NÍVEA PAROU NA PORTA, SURPREENDIDA PELA MÃE.

NÍVEA  -  (embaraçada)  Vou, mãe... tenho um assunto urgente pra resolver...

MARIETA  -  (insistiu)  Seu noivo acabou de viajar e você sai sozinha á noite? Precisa mudar de vida, abandonar essas amizades... logo, vai ser uma mulher casada e terá de se comportar como tal...

NÍVEA  -  (cortou, impaciente)  Mãezinha, não se preocupe. Eu não demoro, prometo. Te amo!

BEIJOU A MÃE NA TESTA E SAIU.

CORTA PARA:

CENA 9  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

DOMINADA PELA ANSIEDADE, HELÔ ARRUMOU-SE E RESOLVEU SAIR. NA SALA CRUZOU COM MISS JULY.

MISS JULY  -  Helô! Vai sair?

HELÔ  -  Que horas são agora, Miss July?

MISS JULY  -  Onze e dez. Acabei de ver no relógio.

HELÔ  -  (murmurou, com raiva) Ela me enganou! Prometeu e não veio!...

MISS JULY  -  O que disse?

HELÔ  -  (disfarçou) Nada... nada, Miss July. Vou sair.

MISS JULY  -  Querida... sem querer me intrometer na sua vida.... posso saber aonde vai?

HELÔ  -  Não sei. Vou sair sem destino. Rodar por aí. Dar umas voltas. Tchau, Miss July.

CENA  10  -  PRÉDIO DE RENATÃO  -  ELEVADOR E HALL  -  INT.  -  NOITE.

O ELEVADOR PAROU NO ANDAR DO PLAYBOY. A PORTA SE ABRIU  E  NÍVEA  ADIANTOU-SE.  O  BARULHO  NA  PORTA  DO APARTAMENTO DE RENATÃO FEZ COM QUE A JOVEM, INCONTINENTI, SE ESCONDESSE NA SAÍDA DE INCÊNDIO.

RENATÃO E SUSI DESPEDIRAM-SE COM UM BEIJO APAIXONADO E A JOVEM DIRIGIU-SE AO ELEVADOR.

NÍVEA ESPEROU UNS MINUTOS E TOCOU A CAMPAINHA. OUVIU OS ACORDES DE “ALELUIA” E, EM SEGUIDA, KONSTANTÓPULUS ABRIU A PORTA.

NÍVEA  -  Preciso falar com Renatão.

CENA  11  -  APARTAMENTO DE RENATÃO  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

O PLAYBOY PERCEBEU A EXPRESSÃO TENSA NO OLHAR  DA JOVEM.

RENATÃO  -  Nívea! Você aqui a essa hora... aconteceu alguma coisa? Tá tudo bem?

NÍVEA  -  (aflita)  Renatão... é sobre as minhas fotos! Eu preciso reaver aquelas fotos. Elas não podem ser publicadas!

RENATÃO  -  (surpreso)  Mas o que é isso! Você recebeu dinheiro por elas! Você concordou em posar e negociar as fotos com a revista estrangeira!

NÍVEA  -  Eu sei... eu estava desesperada.. não tinha saída... Olha, Renatão, eu vou conseguir o dinheiro e devolver tudo pra você, eu juro!

RENATÃO  -  Impossível! Sinto muito, Nívea. Agora é tarde, As fotos já estão na revista e vão sair na edição do mês que vem.

NÍVEA  -  (com firmeza na voz)  Você vai me devolver as fotos de qualquer maneira... ou vou contar pro doutor Oliveira Ramos que você tem um caso com a noiva dele, a Susi!

RENATÃO  -  (empalideceu)  Mas... mas o que é isso... você está fazendo chantagem comigo!

NÍVEA  -  (inflexível)  Pense o que quiser! Te dou um prazo até a meia-noite pra me entregar as fotos e me garantir que não vão sair na revista!

CORTA PARA:

CENA  12  -  PRÉDIO DE RENATÃO  -  EXT.  -  NOITE. 

HELÔ DIRIGIA SEU CARRO SEM PRESSA PELA AV. VIEIRA SOUTO, QUANDO VIU NÍVEA SAIR DO PRÉDIO DE RENATÃO. PAROU NO ACOSTAMENTO E OBSERVOU A JOVEM ATRAVESSAR A PISTA DUPLA EM DIREÇÃO AO CALÇADÃO, ABSORTA EM SEUS PENSAMENTOS.

CORTA PARA:

CENA  13  -  APARTAMENTO DE JUREMA  -  SALA  -  INT.  -  NOITE.     

JUREMA, COM GESTOS NERVOSOS, COLOCOU O PEQUENO REVÓLVER CALIBRE 32 NA BOLSA E OLHOU O RELÓGIO DE PAREDE. ERAM QUASE MEIA-NOITE. FECHOU OS OLHOS, RESPIROU FUNDO E SAIU.

CORTA PARA:


CENA 14  -  APARTAMENTO DE EMILIANO  -  COZINHA  -  INT.  -  NOITE.

MARIETA ABRIU A GELADEIRA E ENCHEU UM COPO DE ÁGUA. IA COMEÇAR A BEBER, QUANDO FOI TOMADA POR UMA REPENTINA VERTIGEM. O COPO DESPRENDEU-SE DE SUA MÃO E CAIU NO CHÃO, ESPATIFANDO-SE EM MIL PEDAÇOS. EMILIANO SURGIU NA COZINHA, ATRAÍDO PELO BARULHO.

EMILIANO  -  Marieta! O que aconteceu? Você tá bem? 

MARIETA ENCOSTOU-SE À PAREDE, PROCURANDO APOIO.

MARIETA  -  Sim... estou... Não sei o que houve... De repente fiquei tonta e quase desmaiei... não sei por que...

EMILIANO  -  (puxou uma cadeira) Sente aqui. Vou pegar um copo d'água pra você. 

MARIETA  -  (balbuciou, ainda tonta) Nívea... cadê você, minha filha?...

CORTA PARA: 

CENA 15  -  PRAIA DE IPANEMA  -  CALÇADÃO  -  EXT.  -  NOITE

NÍVEA CAMINHAVA A PASSOS RÁPIDOS PELO CALÇADÃO. TINHA PRESSA EM SAIR DAQUELE LUGAR, TOMADA POR TERRÍVEL PRESSENTIMENTO.  

COMO QUE CONFIRMANDO SEUS TEMORES, O PRIMEIRO GOLPE VEIO SEM O MENOR AVISO: UMA PANCADA NO ROSTO, DADA COM O PUNHO. ZONZA PARA SENTIR QUALQUER COISA ALÉM DE UMA ENORME SURPRESA, NÍVEA PERCEBEU QUE ESTAVA NA PRESENÇA DA MORTE.

NÍVEA  -  Escute (quase gritando de horror)  por favor, não faça isso! Compreenda, vamos conversar...

OS OLHOS ERAM GRANDES E HONESTOS, MAS, NAQUELE MOMENTO, ESTAVAM CHEIOS DE MEDO. INSTINTIVAMENTE, NÍVEA  LEVOU  AS  MÃOS  AO  ROSTO,  VOLTOU-SE  EM  DOIS TEMPOS E CORREU PELA CALÇADA AFORA. TENTAVA ALCANÇAR O CASTELINHO, ALI PERTO, ONDE ESTAVAM SEUS AMIGOS E A PROTEÇÃO SEGURA.

NÍVEA  -  (tomada de pânico)  Socorro, pelo amor de Deus! Vão me matar!

O SEGUNDO GOLPE ATINGIU-A POR TRÁS, ASSIM COMO O TERCEIRO E O QUARTO. CONTINUOU CORRENDO, MAS SÓ ENTÃO PERCEBEU QUE ESTAVA INDO NA DIREÇÃO ERRADA. CHEGARA AO EXTREMO DA CALÇADA, Á BEIRA DO PAREDÃO DE OITO METROS QUE LIMITAVA A PRAIA. TENTOU VIRAR-SE DE LADO. INÚTIL. DESEQUILIBROU-SE, CAIU NO VÁCUO, LÁ EMBAIXO, NA AREIA, E FICOU IMÓVEL.


                                              FIM DO CAPÍTULO 12
Nívea (Renata Sorrah)
e no próximo capítulo...

*** O guarda-vidas Zé Gregório encontra o corpo de Nívea nas pedras.

*** O Delegado Fontoura tem a difícil missão de dar a notícia aos pais da jovem.
*** Marieta acusa Helô de ser a responsável pela morte da filha!

NÃO PERCA O CAPÍTULO 13 DE

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - Capítulo 11

Novela de Toni Figueira
Inspirada na Obra de Dias Gomes


CAPÍTULO 11


Personagens deste capítulo:

HELÔ (Dina Sfat)
NÍVEA (Renata Sorrah)
PADRE VÍTOR (Francisco Cuoco)
SAMUCA (Paulo José)
RICARDINHO (Carlos Vereza)
MARIETA ( Wanda Lacerda)
EMILIANO (Paulo Padilha)
ZÉ GREGÓRIO (Adalberto Silva)
MISS JULY (Lídia Mattos)
SEU JUQUINHA
DONA SANTINHA
        
CENA 1  -  IBIÚNA  -  CASA DE D. SANTINHA  -  SALA  -  INT.  -  DIA.
 
D. SANTINHA E SEU JUQUINHA ARREGALARAM OS OLHOS QUANDO NÍVEA ADENTROU NA RESIDÊNCIA AO LADO DO PADRE VÍTOR, COM UM SORRISO DE FELICIDADE ESTAMPADO NO ROSTO. O PADRE MOSTRAVA SERENIDADE E SEGURANÇA NO OLHAR.

D. SANTINHA  -  (surprêsa) Mas... o que é isso... o que está acontecendo?

NÍVEA  -  Vó... Vô... nós temos uma notícia pra dar pra vocês. Eu e Vítor... (olharam-se com amor e cumplicidade)  nos amamos e vamos nos casar!

SEU JUQUINHA  -  Mas isso... é uma loucura!

D. SANTINHA EMPALIDECEU E FOI AMPARADA PELA NETA E PELO PADRE PARA NÃO CAIR.

D. SANTINHA  -  Vocês estão brincando... ou estão malucos?

NÍVEA  -  Calma, Vó... (ajudou-a a sentar numa poltrona)  Não estamos brincando. Estamos indo hoje mesmo pro Rio contar a novidade pra meus pais.

D. SANTINHA  -  (incrédula)  Mas... mas ele é um padre!

VÍTOR  -  (adiantou-se e falou, com tranquilidade)  Infelizmente, terei que renunciar aos meus votos, D. Santinha. E estou certo que Deus está abençoando este amor. Nós não procuramos. Simplesmente... aconteceu!

NÍVEA  -  Isso mesmo, Vovó... nós não procuramos isso... Aconteceu de repente... muito mais forte do que a nossa vontade. É amor, Vó.... Deus não pode condenar isso. (fitou Vítor com ternura) Duas pessoas que se amam. Queremos viver esse amor sem medo, com a sua bênção. Queremos nos casar, Vó!




CENA  2  -  RIO DE JANEIRO  -  APARTAMENTO DE EMILIANO -  SALA  -  INT.  -  NOITE.

EMILIANO E MARIETA JANTAVAM, QUANDO A CAMPAINHA TOCOU. ANSIOSA, A MULHER CORREU PARA A PORTA E ABRIU. NÍVEA E VÍTOR ENTRARAM, DE MÃOS DADAS. DE UM LADO, O JOVEM CASAL SORRIA, FELIZ. DO OUTRO, O CASAL DE MEIA-IDADE ESTANCOU, PARALISADO, TENTANDO ENTENDER A SITUAÇÃO.

NÍVEA  -  (abraçou a mãe, a felicidade estampada no olhar) Mãe! Que saudade!

MARIETA  -  Filha! Padre Vítor!

EMILIANO ABRAÇOU VÍTOR COM ALEGRIA.

EMILIANO  -  Padre, que prazer tê-lo de volta em nossa casa!

VÍTOR  -  O prazer é meu, seu Emiliano.  Eu também estou muito contente em rever o senhor e D. Marieta!

NÍVEA  -  Mãe... pai... temos uma surpresa pra vocês! Eu e Vítor... vamos nos casar!

MARIETA  -  (perplexa)  Quê? Vocês? Mas...

NÍVEA E VÍTOR DERAM-SE AS MÃOS NOVAMENTE E FITARAM-SE, COM AMOR.

NÍVEA  -  Nós nos amamos... e vamos assumir o nosso amor.

VÍTOR  -  Seu Emiliano... D. Marieta... eu vou abrir mão dos meus votos...  deixar de ser padre para casar com sua filha. E gostaríamos de ter sua bênção e seu apoio.

MARIETA ESTAVA PASMA, SEM SABER O QUE DIZER. EMILIANO, PASSADO O PRIMEIRO MOMENTO, REAGIU AMIGÀVELMENTE.

EMILIANO  -  Bem, realmente fomos pegos de surpresa... Mas depois do susto inicial, quero dizer que fico muito feliz. Padre Vít... quer dizer, Vítor, você é um homem íntegro, de caráter... enfim, minha filha não poderia ter feito melhor escolha!

MARIETA  -  (ainda atordoada com a notícia)  Eu bem desconfiei dessa ida repentina da Nívea para Ibiúna... sabia que havia algo por trás disso tudo... Mas nunca imaginei que... Bem, ainda não me acostumei com a idéia, mas só posso desejar muitas felicidades a vocês, meus queridos!

MARIETA ABRAÇOU O CASAL, ENTERNECIDA.
        
EMILIANO  -  Vou levar sua mala para o quarto dos fundos, Vítor.

VÍTOR  -  Obrigado, seu Emiliano. Vai ser só por esta noite. Amanhã á noite vou a São Paulo falar com o senhor Bispo, que prometeu me ajudar... 


CORTA PARA:

CENA  3  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS  -  SALA  -  INT.  DIA.


MISS JULY ABRIU A PORTA E NÍVEA ENTROU, SORRIDENTE.

NÍVEA  -  Bom dia, Miss July! Tudo bem?

MISS JULY  -  (simpática) Nívea! Que bom que voltou! Fez boa viagem?

NÍVEA  -  Ótima!  Melhor impossível! Helô está em casa?

MISS JULY  -  Deve estar acordando! Vá ao quarto dela! Vá! Ela vai gostar de ver você!

NÍVEA  -  Obrigada, Miss July!

A JOVEM DIRIGIU-SE PARA O INTERIOR DO AMPLO APARTAMENTO DO BANQUEIRO.

CENA 4  -  APARTAMENTO DE OLIVEIRA RAMOS -  QUARTO DE HELÔ  -  INT.  -  DIA.        

HELÔ E NÍVEA ABRAÇARAM-SE, FELIZES.

HELÔ  -  Amiga, que saudade!

NÍVEA  -  Eu também, amiga! Tava louca pra te ver e contar as novidades! Vim o mais cedo que pude!

SENTARAM-SE NA CAMA, EXCITADAS.

HELÔ  -  Nossa... fiquei curiosa! Tá com uma cara feliz.... o que aconteceu?

NÍVEA  -  Notícia bombástica: vou me casar!

HELÔ FICOU SÉRIA, AR DESCONFIADO.

HELÔ  -  (engoliu em sêco)  Ca.. casar? Mas como? Com quem?

NÍVEA  -  Lembra do padre Vítor, da bolada na praia? Estamos apaixonados e vamos casar!

HELÔ ARREGALOU OS OLHOS, CONFUSA.

HELÔ  -  Peraí... acho que não entendi.... você está dizendo que vai casar com um padre? Ficou louca?

NÍVEA  -  (divertiu-se com o espanto da amiga)  Já estou ficando até acostumada com este tipo de reação quando as pessoas ficam sabendo... Vítor vai largar a batina. Vai deixar de ser padre pra casar comigo! (abraçou Helô, feliz) Ai, amiga, acho que nunca fui tão feliz em toda a minha vida! O Vítor é um homem maravilhoso, um príncipe!

HELÔ AFASTOU-SE, SÉRIA, MAL DISFARÇANDO A INDIGNAÇÃO.

HELÔ -  Mas isso é uma loucura! Você não pode fazer isso!

NÍVEA  -  (sorriu, desconcertada) Que isso, Helô, eu sei que você se preocupa comigo...  Vai dar tudo certo. Fica tranquila, vai... Eu estou muito feliz, isso é o que importa...

HELÔ  -  Vai abrir mão dos seus amigos, vai abandonar a sua turma por um cara que acabou de conhecer, e ainda por cima, padre? Não, não tô acreditando nisso! Você tá brincando!

NÍVEA  -  (assustada com a reação da amiga)  -  Helô, calma... Olha, eu passei aqui pra te chamar  pra ir á praia comigo. Tô louca pra entrar no mar e pegar um solzinho... lá a gente conversa e te conto tudo, como aconteceu... Vamos?

HELÔ  -  (sem se conter)  Isso é uma palhaçada! Você me conta um absurdo desses e me chama pra ir á praia?

NÍVEA  -  É que eu... eu pensei que você ia ficar feliz em saber...

HELÔ  -  Feliz? Isso é uma traição! Você é uma traidora! Eu não esperava isso de você!

COM MÃOS TRÊMULAS, HELÔ ABRIU A PORTA DO QUARTO E MOSTROU A SAÍDA PARA NÍVEA.

HELÔ  -  Sai daqui, Nívea! Vai embora!

NÍVEA  -  Poxa, Helô, eu nunca pensei...

HELÔ  -  (exaltada)  Sai! Sai! Sai daqui!

NÍVEA SAIU, CHOCADA. TRANSTORNADA, HELÔ BATEU A PORTA COM RAIVA, Á BEIRA DE UMA CRISE DE NERVOS.

HELÔ  -  Ai, que ódio! Idiota! Isso não pode dar certo! Aposto que vai quebrar a cara!

CENA 5  -  PRAIA DE IPANEMA  -  EXT.  -  DIA.
NÍVEA ESTAVA SENTADA NA AREIA, OLHANDO DISTRAÍDA PARA O MAR, QUANDO RICARDINHO SURGIU E SENTOU AO SEU LADO.

RICARDINHO  -  Oi, gata!

A JOVEM VOLTOU-SE E FITOU O EX-NAMORADO, SURPRÊSA.

NÍVEA  -  Ricardinho! Como me encontrou aqui?

RICARDINHO  -  Eu soube que você voltou de Ibiúna e liguei pra sua melhor amiga... simples.

NÍVEA  -  Helô...

RICARDINHO  -  Lógico! E ela me contou uma história meio bizarra, que você vai casar com o padreco!

NÍVEA  -  (olhou-o, séria)  É verdade. Nós descobrimos que nos amamos. Vítor vai deixar de ser padre... e vamos casar. É melhor que você saiba de uma vez.

RICARDINHO  -  (encarou-a, revoltado)  Não vou perder essa parada assim... ainda mais para um padre, pra todo mundo ficar me zoando! Por quê você fez isso? Porque prometeu casar com você?

NÍVEA  -  Você sabe que não é só por isso...

RICARDINHO  -  Sempre achei essa história de casar uma besteira! E ele não vai se casar com você, está ouvindo?

NÍVEA  -  (assustada)  Que isso, Ricardinho... tá me ameaçando? Tá louco?

RICARDINHO  -  Desculpe... falei besteira... desculpe...

RICARDINHO SENTIA O SANGUE FERVER, MAS FEZ O POSSÍVEL PARA DISFARÇAR. OLHOU EM VOLTA. ÀQUELA HORA, HAVIAM POUCAS PESSOAS NAQUELE PEDAÇO DE PRAIA. A ALGUNS METROS DE DISTANCIA, DIVISOU A PLACA  E LEU “ATENÇÃO: PERIGOSO NADAR”.

RICARDINHO  -  (convidou, tentando parecer amigável) Vamos nadar?

LEVANTOU-SE E ESTENDEU A MÃO PARA A MOÇA, QUE SORRIU E ENTENDEU AQUELE GESTO COMO UM SINAL DE PAZ ENTRE ELES. CAMINHARAM  PARA O MAR E ENTRARAM NAS ÁGUAS GELADAS DE IPANEMA.

PERTO DALI, EM UM PONTO ESTRATÉGICO, O GUARDA-VIDAS ZÉ GREGÓRIO ASSISTIA A TUDO, ATENTO.

RICARDINHO MOSTRAVA-SE DESCONTRAÍDO E BRINCALHÃO. FOI TUDO MUITO RÁPIDO: OS DOIS FORAM PUXADOS PELA CORRENTEZA. RICARDINHO NADOU PARA A PARTE MAIS RASA. NÍVEA TENTOU VOLTAR, MAS NÃO CONSEGUIA E COMEÇOU A ENTRAR EM DESESPÊRO, SEM CONDIÇÕES DE NADAR MAIS.

NÍVEA  -  (num grito rouco, quase sem forças)  Socorro! Ricardinho! Socorro!

RICARDINHO FICOU PARADO, SEM ESBOÇAR QUALQUER REAÇÃO. HAVIA ÓDIO EM SEU OLHAR.

ZÉ GREGÓRIO PERCEBEU QUE ALGO ERRADO ESTAVA ACONTECENDO E AGIU: EM SEGUNDOS, ATIROU-SE AO MAR, ALCANÇOU A JOVEM E ARRASTOU-A PARA A AREIA. NÍVEA TOSSIA MUITO, RESFOLEGANDO ASSUSTADA.

ZÉ GREGÓRIO  -  Você está bem, moça?

NÍVEA  -  (ofegante) Tou bem... obrigada... muito... obrigada...

ZÉ GREGÓRIO  -  Se eu não estivesse de olho, você podia ter morrido! (apontou a placa) Não viram a placa de perigo? A correnteza tá muito forte nesse local, justamente onde seu amigo lhe levou pra nadar!

NÍVEA  -  Desculpe... eu... eu não vi...

A POUCOS METROS DALI, NO CALÇADÃO, RICARDINHO DEU PARTIDA E ACELEROU A MOTO, SEM OLHAR PARA TRÁS.

CENA 6  -  APARTAMENTO DE EMILIANO  -  SALA  -  INT.  -  DIA. 

MARIETA  -  Filha! Você está pálida! O que aconteceu?

MARIETA ASSUSTOU-SE AO VER A FILHA ENTRAR EM CASA, ABATIDA.

NÍVEA  -  Tá tudo bem, mãe... só estou um pouco cansada.  Onde está Vítor?

MARIETA  -  Seu noivo foi comprar a passagem. Disse que vai hoje á noite a São Paulo.

NÍVEA  -  É, eu sei... ele vai conversar com o Bispo...

CENA 7  -  APARTAMENTO DE EMILIANO  -  QUARTO DE NÍVEA  -  INT.  -  DIA.

NÍVEA SAIU DO BANHO ENROLADA NUMA TOALHA. ENXUGAVA OS CABELOS, A EXPRESSÃO DE PREOCUPAÇÃO.  FOI ATÉ A ESCRIVANINHA, ABRIU UMA GAVETA E RETIROU UM LIVRO DE CAPA PRETA. SENTOU-SE, ABRIU UMA PÁGINA E ESCREVEU: “URGENTE: PRECISO RECUPERAR AS FOTOS COM RENATÃO!”

NÍVEA  -  (para si)  Preciso reaver aquelas fotos! Renatão e Samuca vão ter que me devolver!

CORTA PARA:

CENA  8  -  CASTELINHO  -  INT.  -  TARDE

NÍVEA ESTAVA SENTADA A UMA MESA DO BAR, QUANDO SAMUCA APROXIMOU-SE, SORRINDO.

SAMUCA  -  Oi, Nívea! Recebi seu recado na pensão! Maria Lúcia disse pra encontrar você aqui...

NÍVEA  -  (levantou-se e encarou o rapaz, aflita)  Samuca, eu quero as minhas fotos! Aquilo foi um momento de desespero, eu tou muito arrependida... Vocês não podem vender aquelas fotos, eu preciso delas de qualquer jeito!

FIM DO CAPÍTULO 11
e no próximo capítulo...

*** Ricardinho, disposto a vingar-se, combina com Mario Maluco dar um susto em Vítor e Nívea. Jurema ouve e fica desconfiada. Conseguirão seu intento?

*** Nívea, prestes a casar-se com Vítor, teme que suas fotos de nú para a revista estrangeira atrapalhem seu noivado e, determinada a reavê-las, vai á procura de Renatão!

***No próximo capítulo, momentos decisivos, ação e suspense!

NÃO PERCA O CAPÍTULO 12 DE

domingo, 19 de fevereiro de 2012

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - Capítulo 10

Novela de Antonio Figueira
Inspirada na Obra de Dias Gomes

CAPÍTULO 10
Personagens deste capítulo:

NÍVEA (Renata Sorah)
PADRE VÍTOR (Francisco Cuoco)
D. SANTINHA
BEATA 1
BEATA 2

CENA 1  -  IBIÚNA  -  ESTRADA ÁS MARGENS DE UM RIACHO  -  EXT.  -  DIA.

Continuação imediata do capítulo anterior

PASSADO O PRIMEIRO INSTANTE, O PADRE AFASTOU-SE DA JOVEM BRUSCAMENTE, VISÍVELMENTE EMBARAÇADO.

PADRE VÍTOR  -  Eu sou um padre! Não podemos esquecer disso, Nívea.

NÍVEA  -  (desconcertada)  Perdão! Eu... eu não resisti... foi mais forte do que eu...

PADRE VÍTOR  -  Nós não devíamos ter vindo aqui, longe de todos. Sou padre... mas sou um homem de carne e osso, não uma imagem talhada em madeira, ou em mármore... Sou um homem com todas as fraquezas humanas.

NÍVEA  -  Eu estou muito envergonhada... não sei o que dizer...

PADRE VÍTOR  -  Vamos embora! Vou levar você pra casa de seus avós!

CORTA PARA:

CENA 2  -  IBIÚNA  -   CASA DE D. SANTINHA  -  EXT.  -  DIA


O VEÍCULO ESTACIONOU EM FRENTE AO PORTÃO DA CASA. NÍVEA SALTOU E O PADRE VÍTOR DEU PARTIDA. A JOVEM FICOU PARADA UNS INSTANTES E VIROU-SE PARA ENTRAR NA RESIDENCIA DOS AVÓS. PAROU, ASSUSTADA, AO PRESENCIAR A CENA: DONA SANTINHA EXPULSAVA AS DUAS BEATAS  A VASSOURADAS.

D. SANTINHA  -  (exaltada) Fora daqui, suas fofoqueiras! Fora! Rua! Mentirosas! O padre vai saber dessa calúnia, vocês vão ver!  Suas loucas!

BEATA 1 - (apontou Nívea) É ela! Sua neta! Estava de namoro com o padre! Valha-me Cristo!

BEATA 2  -  (confirmou) Isso mesmo! Foram passear no campo! Nós vimos tudo! Pecadora! Esse mundo tá perdido!

D. SANTINHA  -  (gritou, fora de si, girando a vassoura no ar) Rua! Rua!

AS BEATAS AFASTARAM-SE, CORRENDO, PARA FICAR A SALVO DA VASSOURA DE D. SANTINHA. NÍVEA APROXIMOU-SE DA AVÓ, CONFUSA.

NÍVEA  -  Vó... não entendi nada. O que está acontecendo? Quem são essas mulheres?

D. SANTINHA FITOU A NETA COM EXPRESSÃO DURA NO OLHAR.

D. SANTINHA  -  Entre, minha neta. Aqui não é lugar pra termos essa conversa. Vamos pra dentro!

CENA 3  -   CASA DE D. SANTINHA  -  COZINHA  -  INT.  -  DIA.


D. SANTINHA ENCAMINHOU-SE PARA A COZINHA. NÍVEA SEGUIU-A.

D. SANTINHA - Vamos conversar aqui. Estou fazendo um bolo e não posso deixar passar do ponto.

NÍVEA  -  A senhora tá nervosa, Vózinha. Me conte: o que aconteceu aqui?

D. SANTINHA  -  (fitou-a, muito séria) Aquelas mulheres são Juanita e Josefina. São duas irmãs beatas e vieram aqui me contar uma história sem o menor cabimento! Disseram... que você e o padre Vítor estão de namoro e foram passear no campo! Fiquei tão indignada que expulsei as duas a vassoradas!

NÍVEA  -  Que horror! Então elas vieram aqui só pra isso? Pra envenenar a senhora? Pra fazer intriga?

D. SANTINHA  -  Você não conhece o povo deste lugar, minha filha. É falta do que fazer! Adoram uma fofoca, um escândalo. (T) Por isso mesmo, você tem que tomar muito cuidado, querida. Sei que você e o Padre são amigos, mas esse povo vê maldade em tudo. Têm que evitar ficar passeando, sozinhos, em lugares isolados.

NÍVEA  -  (embaraçada) Claro... você tem razão, Vó. Pode deixar. Vou tomar mais cuidado...

D. SANTINHA  -  Nívea... existe alguma razão pra eu e seu avô nos preocuparmos?

NÍVEA  -  Não. Claro que não, vó. Eu e Vítor somos amigos. Só isso.

D. SANTINHA  -  Ainda bem. Tome cuidado, minha filha. Esse povo fala mesmo... sabe como é... um padre jovem, bonito... e uma menina linda, moderna, vinda do Rio de Janeiro... Prato cheio para as fofoqueiras de plantão!

NÍVEA  -  (procurou mudar de assunto)  Que cheirinho delicioso! Nossa, que saudade desse aroma!

D. SANTINHA  -  Estou fazendo o bolo de cenoura com chocolate que você gostava tanto quando era menina. Tá quase pronto!

NÍVEA  -  (abraçando-a carinhosa) Vozinha, eu estou muito feliz de estar aqui com vocês, de matar as saudades, de comer essas delícias.... Te amo, vó! Cadê o meu vôzinho?

D. SANTINHA  -  Foi na venda fazer umas comprinhas. Venha, vamos pra mesa que vou fazer um cafezinho pra acompanhar o bolo!


CORTA PARA:

CENA 4  -  CASA DE D. SANTINHA  -  QUARTO DE NÍVEA  -  INT.  -  NOITE.

ÀQUELA NOITE, NÍVEA NÃO CONSEGUIU DORMIR. GIRAVA NA CAMA DE UM LADO PARA O OUTRO. VÍTOR NÃO SAÍA-LHE DO PENSAMENTO. LEVANTOU-SE E FOI ATÉ A JANELA. O SILÊNCIO ERA QUEBRADO APENAS PELO CANTO DOS GRILOS.

NÍVEA  -  (falou para si) Amanhã volto à igreja. Ele vai ter que me ouvir. Tenho que fazer isso, ou vou me arrepender pro resto da minha vida!


CORTA PARA:




CENA  5  -  CASA PAROQUIAL  -  QUARTO DE VÍTOR  -  INT.  -  NOITE.

O PADRE VÍTOR, DEITADO NA CAMA, MANTINHA OS OLHOS FIXOS NO TETO. LEVANTOU-SE, CAMINHOU ATÉ O ORATÓRIO E AJOELHOU-SE DIANTE DA IMAGEM DE JESUS CRISTO. REZOU, POR LONGO TEMPO. ERGUEU OS OLHOS PARA A CRUZ E AS LÁGRIMAS ESCORRIAM DE SEU ROSTO.

VÍTOR  -  Senhor, se isso é uma provação, aceito humildemente. Sei que sou merecedor. Seja o que for que esteja reservado para mim, dá-me forças e resignação para aceitar os teus desígnios!


CORTA PARA:
 
CENA 4  -  IBIÚNA  -  IGREJA  -  INT.  -  DIA


NÍVEA ENTROU NA IGREJA E OLHOU PARA OS LADOS. ESTAVA VAZIA. APENAS A FAXINEIRA LIMPAVA OS BANCOS. A JOVEM AJOELHOU-SE E OROU, COM AS MÃOS POSTAS. NÃO VIU QUANDO O PADRE APROXIMOU-SE E PAROU AO SEU LADO.

PADRE VÍTOR  -  Como vai, Nívea?         

A JOVEM LEVANTOU OS OLHOS, APREENSIVA.

NÍVEA  -  (levantou-se) Desculpe ter vindo... eu precisava falar com você...

PADRE VÍTOR  -  Eu sei... eu também.

O PADRE FEZ UM SINAL E DIRIGIRAM-SE A UM LUGAR MAIS DISCRETO. OLHARAM-SE NOS OLHOS, COM EMOÇÃO.

 NÍVEA  -  Eu... eu não consigo esconder mais... eu estou amando você, Vítor! 

 PADRE VÍTOR  -  Eu não sei o que está acontecendo comigo... É um sentimento novo, que eu não conhecia... eu tento, mas não consigo tirar você do meu pensamento... já orei, já fiz penitência, mas nada resolve...

NÍVEA  -  (cheia de esperanças) Mas então... você também sente algo por mim?

VÍTOR  -  Eu seria um mentiroso, um hipócrita, se negasse. Eu não procurei isso, Deus é testemunha. Mas... aconteceu...

NÍVEA  -  Afinal,  aconteceu...  não tem mais jeito. Não sei como foi... mas aconteceu. Desde o dia em que o atingi com a bola, lembra-se, Vítor?

ERA COMO SE ELES, FINALMENTE, TIVESSEM DESNUDADO A PRÓPRIA ALMA.

PADRE VÍTOR  -  Acho que nenhum de nós fez nada para isso conscientemente. Talvez por ser uma coisa que não podia acontecer...

NÍVEA  -  Não duvido. Mas você acha que tenho culpa?

PADRE VÍTOR  -  Depende... Talvez se fizermos as coisas da maneira certa...

ELE A ESTUDOU POR UM SEGUNDO, INQUISITIVAMENTE.

PADRE VÍTOR  -  Nívea... é chegada a hora de tomarmos uma decisão, seja qual for!

NÍVEA  -  (aflita)  Eu entendo... mas, para isso, você teria que deixar de ser padre!

PADRE VÍTOR  -  Sim, infelizmente. Há alguns casos... raros... em que se consegue de Roma permissão para casar  (e com a voz pausada)  Mas não é o nosso caso.

NÍVEA  -  E agora... o que fazemos?

PADRE VÍTOR  -  Eu... eu estou confuso... Algo me diz que meu lugar não é aqui, frente a uma linda mulher como você... Outros homens podem se permitir erros, pequenos e grandes, mas não eu. Eu... eu me sinto fraquejar quando penso em como não ficariam chocados seus pais... Mil homens a desejariam, Nívea. Outros tantos poderiam se casar com você. Mas o Senhor apontou com seu dedo celestial o homem errado. Talvez se você não tivesse vindo para cá, eu a tivesse esquecido...

NÍVEA  -  (triste)  Acho que só compliquei sua vida...

PADRE VÍTOR  -  (decidido)  Esses pensamentos me atormentam, mas tenho comigo uma  certeza inabalável... Mais forte que qualquer barreira... é a certeza de que quero ficar com você! Eu também te amo, Nívea... e se você me quiser, largo a batina pra casar com você!

NÍVEA DE REPENTE VIU-SE FRENTE AO PROBLEMA E NÃO SABIA O QUE DIZER.

NÍVEA  -  Não esperava... nunca imaginei que você chegasse a tomar essa decisão... Preciso pensar. (seu rosto exprimiu uma grande paz interior, mas os olhos brilharam de dissimulado júbilo)  Gostaria de ficar sozinha. Para pensar... você entende?

A JOVEM AFASTOU-SE UM POUCO NA DIREÇÃO DO ALTAR. AS LÂMPADAS DE UMA LUZ AMARELADA E PÁLIDA BRUXULEAVAM SOBRE SUAS CABEÇAS. MANTEVE-SE EM SILÊNCIO POR ALGUM TEMPO. EM SEGUIDA, FITOU O PADRE, COM ESTRANHO BRILHO NO OLHAR. ENCAMINHOU-SE PARA ELE, DECIDIDA.

NÍVEA  -  Eu já resolvi...

VÍTOR ENCAROU-A, APREENSIVO, TENTANDO LER EM SEUS OLHOS O QUE QUERIAM DIZER.

NÍVEA  -  Vítor... quero ser sua mulher!


FIM DO CAPÍTULO 10
Nívea (Renata Sorrah)

    e no próximo capítulo...     

*** Apaixonados e decididos a ficar juntos, Vítor e Nívea decidem enfrentar a todos e contar que decidiram se casar. Qual será a reação de D. Santinha, Seu Juquinha, Emiliano, Marieta, Helô, Ricardinho e de todos, quando souberem da novidade?
  
NÃO PERCA O CAPÍTULO 11 DE