terça-feira, 17 de maio de 2011

IRMÃOS CORAGEM - CAPÍTULO 15


Roteirizado por Toni Figueira
do original de Janete Clair

CAPÍTULO 15

PARTICIPAM DESTE CAPÍTULO:

HERNANI
PAULA
RITINHA
DUDA
DIANA
JOÃO
GENTIL PALHARES
PEDRO BARROS
DELEGADO FALCÃO

CENA  1  -  RIO DE JANEIRO  -  PRÉDIO DO APTO.  DE DUDA  -  PORTARIA  -  INT.   -  DIA.

Alguns pingos de chuva tamborilavam sobre o tapete do portão de entrada do edifício. Hernani conteve a irmã por alguns segundos.


HERNANI  -  Onde você pensa que vai, Paula?

PAULA  -  Que é que você acha?

HERNANI  -  Deixa o casal em paz. Não esteve com o Duda até agora? O que quer mais?

PAULA  -  Me esqueci de um troço que comprei com ele. Vou pegar, senão ela pensa que é dela.

HERNANI  -  Você quer estragar tudo?  (segurava o pulso da irmã, impedindo-a de subir ao apartamento de Eduardo)   Ou será que você está levando a sério esse romance?

Paula deu-lhe as costas e premiu o botão do elevador.

CORTA PARA:

CENA 2  -  APARTAMENTO DE DUDA  -  QUARTO  -  INT.  -  DIA.

Havia silencio no apartamento. Ritinha e Duda descobriam-se, mutuamente, como marido e mulher. A campainha soou. A moça deixou a maciez da cama. Lá fora a chuva ganhava intensidade. 

 
CENA 3  -  APTO. DE DUDA  -  SALA  -  INT.  -  DIA.

A campainha tornou a soar. Rita abriu a porta.

 
RITINHA  -  Quê que você quer?

PAULA  -  Vim rapidamente. Estive fazendo compras com o Duda hoje de manhã... e ele trouxe meu perfume por engano. Vim buscá-lo. ( estendeu a mão)   Quer me dar, por favor?

Rita olhou para dentro da casa com ira. Seus olhos buscavam o marido. “Mentiroso...” – pensava.


PAULA  -  Avant La Fête... é o perfume da moçada.

CORTA PARA:

CENA 4  -  COROADO  -  RUA  -  EXT.  -  DIA.

Durante a esticada do casebre de Braz ao hotel do Gentil, Diana deixou-se, languidamente, cair sobre o peito forte de João Coragem. Sentia-lhe o odor másculo, a rijeza dos músculos, a segurança dos movimentos. Nem sentia o trote ás vezes duro do alazão. A proximidade do rapaz fazia seu sangue ferver.  Ao passar por uma pequena multidão,  João parou o cavalo e tirou o chapéu, fazendo o sinal da cruz.

CORTA PARA:

CENA 5  -  COROADO  -  PENSÃO DE GENTIL PALHARES  -  INT.  -  DIA.


João e Diana entraram na Pensão. Gentil se achava desolado.

GENTIL PALHARES -  Ai, meu Deus, quanta desgraça!

JOÃO  -  Quem morreu? Vi um enterro com gente,  pra burro.

GENTIL PALHARES  -  Oh, homem,  está no mundo da lua? Pois não foi o senhor prefeito, o seu Jorginho! Foi assassinado, ontem, em plena praça!

JOÃO  -  Jorginho! Meu Deus do Céu, Coroado tá virando uma cidade perigosa... Ontem, Braz Canoeiro, quase assassinado! Hoje, Jorginho prefeito. E amanhã, quem vai sê?

GENTIL PALHARES  -  Estou dizendo, João! Estou dizendo!

O hoteleiro não havia notado a presença de Diana. Olhou-a agora, aterrorizado.

GENTIL PALHARES  -  Esta mulher, de novo! O que ela veio fazer aqui?

DIANA  -  Vim cantar um fado, portuga!

Pedro Barros apareceu á porta. Aproximou-se, lentamente, de Diana. De costas a moça nada pressentia.

PEDRO BARROS  -  Soube que minha filha Lara está aqui. Vim do enterro pra ver se é verdade.

João correu em socorro da moça.


JOÃO  -  Lhe informaro errado. Esta não é sua filha.
  
PEDRO BARROS  -  Lara?

Diana não se voltou. Permaneceu de costas para o coronel do garimpo. Atirou-lhe a resposta por entre dentes.

DIANA  -  Já ando cheia de me confundirem com aquela zinha. Desguia, velho, desguia e vai procurar tua filha na igreja.
   
PEDRO BARROS  -  (atordoado)  Que foi que ela disse?
   
DIANA  -  (virou-se irritada, olhar de fera)  Vai procurar tua filha na igreja. A cretina não faz outra coisa senão rezar. Sabe pra quê? Pra compensar diante de Deus os teus pecados!
  
PEDRO BARROS  -  (sem acreditar no que ouvia)  Minha filha... eu não tou te entendendo bem...

DIANA  -  Não sou sua filha. Já disse que estou cheia dessa confusão!
  
PEDRO BARROS  -  (dirigiu-se a João Coragem)  O que foi que você fez com ela?

JOÃO  -  Eu? Nada. Essa daí é outra. Pelo menos é o que ela diz. Que não é sua filha.

Barros fixou o rosto da jovem. Examinou seu corpo, suas mãos.

PEDRO BARROS  -  Mas... como, como é possível! Será que eu tou ficando louco?
   
DIANA  -  É bem capaz.  (Bateu com o copo sobre a madeira do balcão. Gentil olhava, paralisado)   Ei, portuga, veja outra dose daí, dessa porcaria que queima...
   
PEDRO BARROS  -   Você nunca bebeu!

Tentou retirar o copo de suas mãos. Ela afastou-se rápida.


DIANA  -  Como é? Não se ouve música nessa pinóia? Só se canta o fado, é, portuga?

Pedro Barros chegara no auge do espanto.

PEDRO BARROS  -  Deus do céu! Deus do céu!
   
JOÃO  -  É bom o senhor ir pro enterro. Eu cuido dela.

PEDRO BARROS  -  (irado)  Foi você, patife, que fez ela ficar assim?

Gentil interferiu, para explicar a Pedro Barros o que vinha acontecendo:

GENTIL PALHARES  -  Seu coronel... o João não tem culpa disso. Esta mulher apareceu por aqui, assim, e João nem a conhecia.

PEDRO BARROS  -  Mas... vocês estão vendo? Esta mulher não pode ser outra! É minha filha!

Passos apressados indicaram que alguém vinha entrando no hotel. Era o delegado Falcão.

DELEGADO FALCÃO  -  Seu coronel, sua presença está fazendo falta. O enterro já chegou ao cemitério.

PEDRO BARROS  -  Falcão... tou meio zonzo... Aquela moça... diz que não é minha filha.

Falcão aproximou-se de Diana, lento, mastigando o palito que jamais deixava de mover entre os dentes.

DELEGADO FALCÃO  -  É, seu coronel. Essa daí não é mesmo a Senhorita Lara. Conheço muito ela. É uma doida que apareceu por aqui, um dia destes. Furtou a caixa da igreja, ficou presa e tudo o mais...

PEDRO BARROS  -  Mas como? Isso é impossível!

CORTA PARA:

CENA 6  -  RIO DE JANEIRO  -  APARTAMENTO DE DUDA   -  INT.  -  DIA.


Ritinha fazia a limpeza do apartamento. Pano enrolado á cabeça, espanador na mão. A voz de Hernani roubou-a ás suas reflexões.

 
HERNANI  -  Sabe... você podia ser a futura miss Brasil!
   
RITINHA  -  (assustou-se)  Eu?

HERNANI  -  Você mesma... tem uma carinha linda... e um corpinho de endoidar... Venceria de estalo. Deixaria as outras no chinelo.
   
RITINHA  -  (envaidecida com o galanteio)  Tá brincando.

HERNANI  -  Não. Falo sério. Sonhei com você... e a vi numa passarela, com faixa e tudo... Estava de maiô azul. Linda. Linda de fazer inveja...

Hernani se aproximou ante o ar espantado da jovem. Arrancou-lhe o pano da cabeça. Com o espanador de penas negras, improvisou o cetro e com uma tira de pano rosa, preparou a faixa. Convidou, em seguida, a moça a desfilar de um lado para outro da sala. Passarela íntima. Incitava-a.

 
HERNANI  -  Venha. Caminhe... como uma rainha... majestosa.

Ritinha obedecia, embevecida.

HERNANI  -  Magnífica! Vou ser seu empresário. Vou tratar de te inscrever!
  
RITINHA  -  Mas... as misses não podem ser casadas.

HERNANI  -  Se você não diz... quem é que vai adivinhar? Pense nisso... pense bem, e resolva. Coloque seu futuro nas minhas mãos. A provinciana que venceu na cidade grande. A Miss Coroado. A futura Miss Brasil! Pense... pense bem, Ritinha... e depois me dê a sua resposta.

Hernani despediu-se. Ritinha correu ao quarto. Desnudou-se diante do espelho do guarda-roupa. Era mesmo bela. Vestiu o maiõ de cores discretas e, com o espanador-cetro, a tira-faixa e a coroa de pano, deixou-se sonhar, partir para o infinito dos devaneios, agarrada ás asas do irreal. Rita de Cássia – sem Coragem – Miss Brasil de mil novecentos e qualquer ano.

Uma voz chamou Ritinha á realidade.


DUDA  -  (off) Ritinha! Ritinha!

Duda entrou no quarto, enrolado numa toalha, saído do banho.

DUDA  -  Depressa! Me ajude, Tenho que ir correndo pra concentração. Vamos ter um jogão no sábado.
  
RITINHA  -  (sonhava ainda)  Duda... eu sou bonita?

DUDA  -  Ah, Ritinha... isso é hora de você fazer perguntas? Anda, vê minhas coisas!

A jovem retirava as roupas do armário, enquanto o marido trocava de vestimenta.

RITINHA  -  (arriscou a pergunta)  Eduardo... você disse... ontem, que ia ver se endireitava as coisas. Será que endireitou?

Duda relembrou as palavras de Paula:  “Você não pode se livrar de mim, assim como pensa... como um piparote, como um carrapicho que grudou na sua roupa. Não. Na situação em que estou, você não pode se descartar de mim...”
   
RITINHA  -  (insistente)  Endireitou?

DUDA  -  Mais ou menos.

RITINHA  -  Entre nós não pode haver mais ou menos. Duda! Se você quiser... eu dou o fora de sua vida!

DUDA  -  Não. Eu não quero. Depois do jogo de sábado, a gente conversa.
  
RITINHA  -  (arriscou de novo)  Eduardo, vou chamar Domingas pra ficar comigo. Eu não agüento mais ficar sozinha.

DUDA  -  Chame ninguém de Coroado. Não dá certo. Não quero ninguém aqui. Olha, estou atrasado!

Beijou rápido a esposa e saiu ás pressas.


DUDA  -  Tchau! Não telefone, nem me amole na concentração. Não dê vexame.

Ás últimas palavras, o rapaz já ia descendo as escadas, saltando degraus e cantando alegremente. Ritinha ainda correu á porta.

RITINHA  -  Duda! Esqueci de dizer que chamei Jerônimo.

Tinha sumido no caracol da escadaria. Rita dirigiu-se ligeiro á janela. Duda partira num carro.

RITINHA  -  (para si)  Meu Deus! Jerônimo é capaz de brigar com o irmão, por minha causa.



FIM DO CAPÍTULO 15 
Maria de Lara (Gloria Menezes)

E NO PRÓXIMO CAPÍTULO...

JERÔNIMO FOTOGRAFA JOÃO E DIANA AOS BEIJOS E DEIXA O IRMÃO FURIOSO.

PEDRO BARROS PROCURA A FILHA NA CASA-GRANDE, E DALVA FICA DESESPERADA, POIS A SOBRINHA DESAPARECEU HÁ 2 DIAS!



NÃO PERCA O CAPÍTULO 16 DE
 

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